"Este Blog foi criado para aproximar aqueles que se sentem indignados ao presenciar a injustiça, ocorra ela em qualquer parte do planeta. Ele foi criado para aqueles
que acreditam que o conhecimento crítico e o combate a alienação é a libertação do homem e a transformação do mundo. Sinta-se indignado, proteste, lute,
liberte-se, liberte o outro, transforme o mundo..." Prof. Claudenir

Liberté - Igualité - Fraternité / Revolução Francesa - 1789

Liberté - Igualité - Fraternité / Revolução Francesa - 1789
A Liberdade Guiando o Povo - Eugéne Delacroix

segunda-feira, 30 de maio de 2011

sábado, 21 de maio de 2011

Geografia das Religiões - Powerpoint


TOLERÂNCIA RELIGIOSA

Nunca se falou tanto em tolerância religiosa como hoje. Há, decerto, uma razão para esse apreço do conceito, que reside em ser o tempo atual um período de extremos, qualificação que se justifica pelos seus paradoxos: paz e violência, tecnologia e miséria, crescimento econômico e injustiça social e etc. Por um lado aguça-se entre religiões e culturas a sensibilidade pela dignidade humana. O discurso sobre a inviolabilidade dos direitos humanos fundamentais pauta-se como imperativo para todos os povos. Por outro lado, a dignidade humana jamais esteve tão ameaçada, seja pelo armamento nuclear, pela fome, pela manipulação genética, pelos conflitos políticos, religiosos, étnicos, ou seja, por razões múltiplas. A realidade confirma, portanto, a atualidade da reflexão sobre a tolerância. Nesse debate uma questão crucial que se aborda é saber qual o limite da tolerância? Ou dito de outra maneira, é possível ser tolerante com o intolerável? Existe um meio-termo nessa história, uma terceira via que se tece para além da mera aceitação ou do recurso à violência? O limite da tolerância torna-se cada vez mais evidente. Tolerância não significa tolerar o intolerável, o que seria a própria negação da tolerância, sendo que esta consiste na aceitação mínima do diferente como tradução da coexistência pacífica. Se a tolerância não equivale a tolerar o intolerável, que via se lhe aponta, já que a utilização das mesmas armas da intolerância rejeitaria pelo oposto a própria tolerância? Em termos concretos, com que atitude enfrentar as ações do braço de terrorismo do fundamentalismo religioso e político? O recurso às armas da intolerância comprovou-se historicamente como gerador de mais violência. A ofensiva de Bush, em resposta às ações terroristas de 11 de setembro de 2001 contra os EUA, não trouxe nenhuma resolução para a questão, pelo contrário, desencadeou um processo gradativo de violência e insegurança. O exercício da tolerância exige o difícil equilíbrio entre razão e emoção. Tarefa que se torna ainda mais desafiadora quando se está diante do impacto provocado pelo intolerável (11 de setembro de 2001, EUA; 11 de março de 2004, Espanha; julho de 2005, Inglaterra). Mas é exatamente nesse momento que a busca do consenso racional pode contribuir, evitando-se a traição pela emoção e, consequentemente, uma justificativa cuja lógica possui em sua estrutura a mesma forma de pensar fundamentalista: o império do bem contra o império do mal. Com que atitude, então, enfrentar o fundamentalismo? O caminho que se vislumbra racionalmente é o do diálogo incessante, do acordo justo e transparente e parece não haver outro meio sensato. Leonardo Boff, afirma em seu livro, Fundamentalismo: a globalização e o futuro da humanidade, ser necessário dialogar até a exaustão, negociar até o limite intransponível da razoabilidade, na esperança de que o fundamentalismo venha a reconhecer o outro e o seu direito de existência. Talvez essa estratégia possibilite romper as bases de sustentação de qualquer fundamentalismo, instaurando uma comunidade de povos. Embora rejeita-se por inteiro o método, a justificativa e a finalidade das violentas ações fundamentalistas, elas não deixam de indicar algo. Conforme o teólogo Hans Küng, elas apontam os débitos de uma Era Moderna muitas vezes individualista-libertinista que deveriam ser levados em conta quando se rejeita as soluções do fundamentalismo. Enzo Pace e Piero Stefani, no livro, Fundamentalismo religioso contemporâneo, argumentam que as ações fundamentalistas denunciam a fragilização do pacto social (...) e, por isso, [tornam-se] uma espécie de sinal de alarme que indica níveis baixos de solidariedade social e níveis totais de desconfiança no sistema político (...). Esses aspectos devem ser considerados ao se buscar uma razão para as ações intolerantes decorrentes dos fundamentalismos. A terceira via, o como enfrentar o intolerável se constrói pela sensibilização pacífica, através de protestos e outras atitudes e, sobretudo, pela busca incessante de diálogo como tentativa de encontrar um meio-termo para os extremos. O exemplo de Jesus ao convidar seus discípulos para baixar a espada é inspirador. Contudo, além da atitude democrática e tolerante, é necessário também que sejam suprimidas as condições que fazem surgir as atitudes intolerantes, principalmente, aquelas originárias do fundamentalismo. Do contrário, também a tolerância será insuficiente.


Dicas de leitura:BOFF, Leonardo, Fundamentalismo: a globaliza


ção e o futuro da humanidade. Rio de Janeiro: Sextante, 2002. LIBANIO, João Batista, A arte de formar-se. São Paulo: Loyola, 2001.

domingo, 15 de maio de 2011

T. COMP. RELIGIÃO – ÉTNICO CULTURAL

.As Principais Religiões Mundiais
• O Cristianismo ainda é a religião com mais adeptos no mundo, pois predomina em cinco dos seis continentes. A América Latina reúne a maior porcentagem de fiéis, 92 % da população, mas é na Europa que se concentra a maioria dos cristãos, quase 600 milhões. O cristianismo, na verdade, deriva do judaísmo. As duas religiões, grandes pilares da civilização ocidental, dividiram-se a partir da crença de alguns judeus na profecia que preconizava a vinda do Messias, o filho de Deus, à Terra dos homens. O Messias - para os cristãos, Jesus Cristo - nasceria de uma família comum, morreria pelas mãos dos homens, ressuscitaria e enviaria ao mundo o espírito santificador (Espírito Santo), que aqui permaneceria até o fim dos tempos. Os judeus não reconhecem Jesus Cristo como o Messias. A doutrina cristã seria difundida pelos apóstolos, discípulos e primeiro seguidores de Cristo por meio do Novo Testamento da Bíblia. Logo, a Bíblia dos judeus só possui o Antigo Testamento.
• O islamismo é a principal religião da Ásia e tem expressiva adesão na África. Os dois continentes concentraram mais de 60% de seus seguidores. O número de muçulmanos aumentou 157% nos anos 90; assim, o islamismo se tornou, ao lado do cristianismo, uma religião com mais de 1 bilhão de fiéis – foi fundado pelo profeta Maomé, mercador que viveu na Península Arábica entre os anos 570 e 632. A palavra árabe islã designa aqueles que são seguidores e submissos a Alá (do árabe Allah, Deus Supremo, divindade). Os adeptos do islamismo se auto intitulam muçulmanos. Os preceitos islâmicos estão contidos no livro sagrado, o Corão ou Alcorão (do árabe Alkurãn: a leitura; a leitura por excelência). Vale ressaltar que o islamismo é a religião que mais conquista adeptos em todo o mundo na atualidade.
• O judaísmo é a primeira religião monoteísta da história da humanidade. Fundamenta-se na a revelação dos Dez Mandamentos de Deus a Moisés, no Monte Sinai. Moisés descendia do hebreu Abrãao, patriarca da Mesopotâmia e primeira pessoa a receber uma revelação divina, há cerca de 4.000 anos. Com o passar da história, em 63 a. C., a Judéia é conquistada pelos romanos e torna-se uma província de Roma. Em 70 d. C., mais uma vez o templo judeu é destruído pelos romanos; em 135 d. C., a cidade de Jerusalém é arrasada. A partir de então, inicia-se a dispersão dos judeus por várias partes do mundo, conhecida como a Diáspora. Os judeus dispersos mantêm suas tradições e sua unidade, mas são discriminados (o antissemitismo) e perseguidos durante toda a Idade Média em vários países da Europa. Essas perseguições constantes ocorrerão até o princípio do século XX e favorecerão a migração em massa de judeus também para regiões da América do Norte, Austrália, Argentina etc. Fortalece-se, a partir do final do século XIX, o movimento sionista, que propunha a criação de um estado hebreu na Palestina. Em 1948, três anos após o fim da Segunda Guerra, é criado o Estado de Israel e termina, então, o período da Diáspora. O Estado judaico acolhe milhões de judeus do mundo todo, parte considerável vinda dos horrores dos campos de concentração, implementados pelos nazistas. Um novo período de conflitos inicia-se, agora entre os judeus e os árabes que habitavam as regiões da Palestina onde se criou Israel. Na atualidade, existem cerca de 13 milhões de judeus no planeta sendo que, aproximadamente, 4,5 milhões vivem no Estado de Israel. A comunidade judaica é bastante significativa em vários países do mundo, em especial no EUA, Canadá, Argentina, Uruguai, África do Sul, França, Reino Unido, Alemanha e em algumas áreas da CEI. No Brasil, os judeus concentram-se, principalmente, na cidade de São Paulo.
• O Protestantismo surge a partir da Reforma, iniciada no século XVI, tendo como principais lideres o alemão Martinho Lutero e o francês João Calvino. As propostas dos reformadores iam desde a abolição da rígida hierarquia da igreja católica à simplificação da liturgia. Frequentemente alguns autores utilizam a ética da expansão reformista como um dos motivos que levaram ao desenvolvimento do capitalismo, impulsionado neste mesmo período histórico. A opressão, que representava a igreja católica na Idade Média, fez com que a doutrina dos reformistas expandisse para vários países europeus, principalmente Alemanha, França, Holanda, Suíça, Escócia e os países Escandinavos. Inclusive, em algumas dessas nações, houve sangrentas guerras religiosas entre reformistas e grupos cristãos majoritários. Dentre as várias ramificações reformistas surgiram as igrejas Anglicana, na Inglaterra; Presbiteriana, na Escócia; e, no final do século XVI, as igrejas Batista, Metodista e Adventista.
• O Hinduísmo consiste na fusão cultural e religiosa entre os Hindus – povos que habitavam os vales dos rios Indo e Ganges e formavam uma brilhante civilização, que floresceu por volta de 3 mil anos antes da era Cristã - e tribos de arianos, que se instalaram nesta península a partir de 2500 antes de Cristo. Os arianos possuíam um sistema tradicional e rígido de castas, que eram determinadas a partir do nascimento. O hinduísmo é um conjunto de princípios, doutrinas e práticas religiosas conhecido dos seguidores pelo nome de sânscrito Sanatana Dharma, que significa a ordem permanente. Está fundamentado nos Vedas (conhecimento, em sanscrito), textos sagrados compostos de hinos de louvor e ritos.
• O Budismo é outra religião que possui bastante influência sobre a cultura oriental. Os mais de 300 milhões de budistas do mundo espalham-se, principalmente, pela Índia, Sri Lanka, Myanma, Laos, Tailândia, Camboja, Tibete, China, Mongólia, Coréia e Japão, além de existirem comunidades budistas na maioria dos países ocidentais. A religião foi criada na região da Índia, por volta do século VI antes de Cristo, a partir dos ensinamentos do príncipe Sidarta Gautama, o Buda, nascido numa família nobre do reino dos Sakyas. Segundo os budistas, Buda não representa, necessariamente, uma pessoa, mas um estágio espiritual de profunda sabedoria alcançado pelo Sidarta por meio de inúmeras reencarnações.
No Brasil, cerca de 76% da população brasileira é católica, ou seja, quase 120 milhões de adeptos, o que faz do país a maior nação católica do mundo. A igreja católica, que sempre exerceu uma influência muito grande sobre o povo brasileiro, hoje encontra-se dividida em duas principais correntes; uma que valoriza o caráter puramente religiosos da igreja, os conservadores, e a outra, chamada ala progressista, vinculada à teologia da libertação, que propõe uma participação da igreja nas lutas políticas e sociais. O Brasil possui, ainda, grande número de adeptos do protestantismo, do espiritismo e dos cultos afro-brasileiros, especialmente o candomblé. As igrejas protestantes pentecostais são divididas em mais de 35 denominações em nosso território nacional.

A Geografia e as Áreas de Conflito. A questão étnico-cultural

O Oriente Médio é, hoje, o principal foco de tensões geopolíticas em nível internacional.
A complexidade das disputas regionais decorre de uma multiplicidade de realidades que se superpõem: nacionais, religiosas, estratégicas. Situada na passagem entre três continentes (Europa, África e Ásia) e dotada das maiores reservas de petróleo conhecidas, a região apresenta alto interesse político e econômico para as superpotências. Desse modo, cada um de seus conflitos adquire, automaticamente, dimensões mundiais. A questão árabe-israelense é um dos eixos de tensões regionais, tendo quatro guerras e um acordo diplomático que está longe de representar um fator de estabilidade em médio prazo. A questão palestina é outro eixo de tensões. A implantação do Estado de Israel, em 1948, está na origem do problema palestino. Trata-se de um conflito nacional que opõe uma nação (povo palestino), dispersa por vários países (Israel, Líbano e Jordânia, principalmente), um Estado sem território, um Estado no exílio, à Organização de Libertação da Palestina (OLP).
O terceiro eixo de tensões é a questão libanesa, com uma guerra civil iniciada em 1975 e sem perspectivas de solução. O Líbano apresenta-se dividido por um conflito religioso que opõe a comunidade cristã às comunidades muçulmanas, estas também divididas internamente. Diante desse pequeno histórico, pode-se afirmar que esta questão não é fácil de ser solucionada, pois, só para se ter uma ideia da complexidade do problema, é só imaginar, no caso da criação de um estado Palestino, como ficaria a cidade de Jerusalém, que está dentro do território palestino proposto pela ONU: para esse território seria dada condição de status internacional, porque Jerusalém tem um sentido sagrado para os judeus, muçulmanos e cristãos. Apesar da complexidade e das dimensões, inclusive em termos de violência, da questão árabe-israelense no Machek, esse fato tem origens relativamente recentes. No início, esses povos já viveram harmonicamente na região ao longo de sua história e, na verdade, o conflito apareceu sobretudo a partir do movimento sionista. Entretanto, após várias décadas de conflitos, foram feitas várias tentativas de paz na região por meio de acordos. Os mais importantes foram os denominados Acordos de Oslo, quando, em 1993, a OLP e o primeiro-ministro trabalhista de Israel, Itzhak Rabin, firmam um acordo de paz em Washington, o qual foi batizado de Oslo por ser o resultado de negociações ocorridas na capital da Noruega. Os dois lados se reconhecem e assinam um documento que inclui uma série de princípios, os quais prevêem a devolução aos palestinos da maior parte da faixa de Gaza e de parte da Cisjordânia. A partir de 1994, os palestinos conquistam autonomia plena na maioria da faixa de gaza e em Jericó, assumindo a administração civil e a segurança interna. A defesa e as relações exteriores continuam em poder de Israel. Por outro lado, a evolução nas negociações, entretanto, é dificultada pela ação de grupos terroristas que se opõem aos acordos.
Vários pontos do acordo não são cumpridos e, em 1999, o trabalhista Ehud Barak forma uma coalizão ampla de governo, vence as eleições e retoma as negociações de paz. Por outro lado, é importante ressaltar que o futuro dessas negociações depende de uma série de fatores, dentre os quais a intransigência dos setores radicais de ambos os lados, que são contrários ao avanço no caminho da paz, a questão dos assentamentos de colonos judeus em terras palestinas, além da delicada questão do controle das fontes de água existentes na Cisjordânia. Além desses fatores, existe a complexa situação política entre Síria e Israel pelo controle das Colinas de Golã, que correspondem a uma porção do território sírio, anexado por Israel, sendo um ponto estratégico na geopolítica do Oriente Médio.

A Questão Palestina. A questão étnico-cultural

No início do século XX, cerca de um milhão de árabes habitavam a região da Palestina, que foi colocada sob mandato britânico ao fim da Primeira Guerra. Essas populações já viviam na região desde a Antiguidade e tinham passado um longo tempo sob jugo otomano. O sentimento nacional palestino começou a surgir após a Primeira Guerra, em decorrência da luta simultânea contra os britânicos e contra a imigração judaica.
Em l948-l949, a Guerra de Independência de Israel resultou na partilha dos territórios palestinos entre Israel, Egito e Jordânia, e teve como consequência a expulsão da maioria da população palestina. Em Israel, os que ficaram foram transformados em cidadãos de segunda classe, sujeitos a limitações nos direitos civis e submetidos, até 1966, a um regime de governo militar.
Os refugiados palestinos também não foram aceitos como cidadãos nos países árabes vizinhos (Jordânia, Egito, Síria e Líbano), pois os governos desses países recusavam-se a legitimar as fronteiras de Israel e temiam as tensões sociais que poderiam resultar da integração dessas populações. Os palestinos passaram a viver em campos precários nos países árabes, sujeitos a péssimas condições de emprego, de moradia e a todo o tipo de discriminação.
Em 1959, surgia a primeira organização militar palestina, a Al Fatah, liderada por Yasser Arafat, voltada para a criação de um Estado palestino. Em 1964, na Conferência de Cúpula Árabe de Alexandria, os líderes do Egito, da Argélia e da Tunísia patrocinavam o surgimento da Organização de Libertação da Palestina (OLP), que passa a ter a Al Fatah como braço armado. Na Carta de Fundação da OLP, ficava definida a sua posição histórica contra a existência de Israel e pela formação de um Estado palestino laico em toda a região.
A atividade guerrilheira dos federais da OLP esteve entre as causas da Guerra dos Seis Dias em 1967. Em 1970, em conseqüência da derrota na guerra, o rei Hussein ordenou a expulsão dos fedains acampados na Jordânia, o que originou o massacre conhecido como “Setembro Negro”. Grandes contingentes de palestinos refugiaram-se no sul do Líbano, onde seriam constantemente fustigados por incursões israelenses.
Em 1973, a Conferência de Cúpula Árabe de Argel reconhecia a OLP como única representante legítima do povo palestino. Dois anos depois, a ONU adotava a mesma posição, tornando a OLP membro observador da Assembleia Geral. Ao mesmo tempo, a ONU votava a resolução pela criação de um Estado palestino na Cisjordânia e Gaza, de acordo com as fronteiras fixadas na partilha de 1947. Na mesma resolução, condenava-se a política de instalação de colônias israelenses nos territórios ocupados. Apesar da adesão internacional a essas decisões, Israel as ignora até hoje.
Em 1982, os constantes atritos fronteiriços entre os fedains acampados no Líbano e tropas israelenses provocaram a invasão do sul do Líbano por Israel, operação denominada “Paz para a Galiléia” por Telavive. Rapidamente, as tropas de Israel conseguiram alcançar Beirute, submetendo-a a intenso bombardeio. Acossada, a OLP era obrigada a retirar os seus combatentes da capital libanesa e enviá-los para os países árabes vizinhos. Era a maior derrota militar da Organização.
Logo após a retirada da OLP, Israel invadia Beirute Ocidental e assistia impassível à entrada de milicianos cristãos libaneses nos campo de refugiados palestinos de Sabra e Chatila. Ao longo de quarenta e oito horas, entre os dias 19 e 20 de setembro de 1982, os milicianos cristãos promoveram um sangrento massacre contra crianças, velhos e mulheres indefesos. Até hoje, o número total de mortos não foi determinado.
A derrota no Líbano provocou a maior divisão na história da OLP. Arafat passou a uma linha de negociações, procurando apoio internacional para a formação de um Estado palestino que não excluísse a existência de Israel. Nessa linha, chega a negociar com o governo Reagan a formação de um estado palestino, confederado à Jordânia, na Cisjordânia. Pelo acordo assinado em Wye Plantatin (EUA), em 1998, Israel se compromete a novas retiradas da Cisjordânia, concluídas em março de 2000. Foi nessa situação de profunda divisão da OLP que foi deflagrada, nos primeiros meses de 2000, uma revolta generalizada dos palestinos da Cisjordânia e Gaza. Desde então, o processo de paz está paralisado.

América Latina?

            Vamos estudar os movimentos sociais indígenas, as principais zonas ou focos de tensão na América Latina e questões fundamentais, como o narcotráfico na Colômbia, o movimento indígena na Bolívia e Chiapas e os conflitos políticos no Peru, diante da relevância deste conteúdo na atualidade. A diversidade da população indígena na América Latina é grande. Ela está mais concentrada no México, Peru e Bolívia.

            Vamos abordar alguns pontos principais a respeito dos conflitos regionais e a questão das identidades socioculturais (étnicas, tribais e religiosas) e as principais áreas de ocorrência dos conflitos. Não vamos aprofundar muito sobre cada conflito, pois não há tempo suficiente, mas você poderá obter maiores informações no site citado no final da matéria (são temas certeiros no vestibular).

 

Chiapas

            No estado de Chiapas, localizado no sul do México, na fronteira com a Guatemala, os camponeses indígenas maias formaram o movimento Zapatista, revelando a insolubilidade da questão agrária na sociedade capitalista e a intensificação do problema em conseqüência das políticas econômicas neoliberais. Iniciado em 1º. de janeiro de 1994, o movimento zapatista começou no mesmo dia em que entrou em vigor o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA) e, ao longo do processo político que envolveu diversas organizações – como os movimentos estudantis e operários –, organizou-se a Frente Zapatista de Libertação Nacional (FZLN).

            Chiapas é o estado mais pobre do México. Apesar dos duros combates iniciais contra as tropas do governo, o FZLN aposta em ações pacíficas e de impacto - como a ocupação de povoados e a organização de congressos políticos internacionais no meio da selva de Chiapas. Sua plataforma prevê a democratização do país e a ampliação da autonomia e das oportunidades para os grupos indígenas. As negociações de paz não evoluem. Os rebeldes denunciam a fraude e a intimidação de eleitores.

 

Haiti

            Inicialmente, entre 1950 e 2005, os indicadores sociais e econômicos haitianos permaneceram muito negativos, e o país tornou-se o mais pobre da América Latina. A crise política, econômica e social vivida pelo país há anos, foi intensificada após a ditadura de François “Papa-Doc” Duvalier e a de seu filho Jean-Claude Duvalier (chamado Baby Doc), encerrada em 1986, deixando o país tumultuado e instável. Entre 1990 e 2000, o país sofreu intervenções da ONU e dos Estados Unidos, quando estava sob administração de Bill Clinton e de George Bush (filho). O Brasil participou enviando forças de paz a pedido do governo norte-americano e da ONU. Nesse período, alguns militares tentaram manter-se no poder impondo a ditadura, mas ONU e EUA estavam sempre interferindo, idealizando liberdade e democracia para o país (mas os EUA tinham motivos econômicos e estratégicos para tal). O Brasil comanda a força militar na missão de paz da ONU no Haiti desde junho de 2004. Os 1,2 mil soldados do país, que estão no Haiti, formam o maior contingente brasileiro enviado ao exterior desde a 2ª Guerra Mundial. Essa força militar na missão de paz procura garantir a estabilidade no país e auxiliar na manutenção da segurança para realizar novas eleições, após a queda do ex-presidente Jean Bertrand Aristide. Era necessário consolidar um efetivo que substituísse a Força Multilateral Interina (MIF, pela sigla em inglês), formada por Estados Unidos, Canadá, França e Chile e que se mantinha no país desde a queda de Aristide. A missão no Haiti enfrentou um quadro incompleto de militares previstos pela ONU. Segundo o Exército, isso dificultava a atuação nas áreas mais críticas do país, onde gangues, rebeldes e grupos armados mantinham conflitos permanentes com civis e com a Polícia Nacional haitiana. Os conflitos entre os grupos armados e a Polícia Nacional eram constantes. Organizações não-governamentais chegaram a criticar a atuação da ONU, ao alegar que a atuação da missão permitia a violação de direitos humanos. A acusação foi negada pelo comando militar e pelas autoridades do governo brasileiro. O governo brasileiro fez atuações junto ao Conselho de Segurança da ONU para aumentar o efetivo militar no Haiti. Também fez pedidos de ajuda internacional para projetos de infraestrutura, cooperação internacional e visitas do próprio ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, para avaliar a situação política pré-eleitoral no país.

            O terremoto em 12 de janeiro de 2010 colaborou para agravar a situação crítica do país.

 

Movimentos políticos no Peru

Dois movimentos guerrilheiros atuam no país: o Sendero Luminoso, fundado em 1975, ligado à guerrilha rural, cujas ações, historicamente, foram violentas e líder preso pelo governo de Fujimori e o Movimento Revolucionário Tupac Amaru, inspirado nas idéias de Che Guevara (um dos mais famosos revolucionários comunistas da história, nascido em Rosario, Argentina) e que concentrou suas atividades nas cidades. Ao prender os principais líderes desses movimentos, a atuação do governo contribuiu para o aumento das atividades guerrilheiras no país no final da década de 1990. Outro ponto: a situação litigiosa (disputa) fronteiriça que o Peru enfrenta com o seu vizinho Equador, o que levou os dois países a travarem conflito armado em 1998.

 

 

Movimentos indígenas na Bolívia

            Na Bolívia, prevalece uma segmentação cultural na estrutura de oportunidades e de mobilidade social, notória na estratificação étnica do mercado de trabalho: no país, um indígena recebe em geral um terço do salário de um não-indígena. Conseqüentemente, a maioria da população pobre do país é indígena. 62% dos habitantes maiores de quinze anos se auto-identificam, na Bolívia, como pertencentes a algum povo indígena, e pouco mais de 40% da população tem como língua materna um idioma indígena. Entre os 38 povos indígenas e seus descendentes que existem na Bolívia, os dois mais importantes são os quíchuas (abarcam 30% da população total do país) e os aimarás (25%). Na sua maioria, os primeiros estão instalados nas zonas dos vales, enquanto os aimarás encontram-se no planalto, tanto rural como urbano. Não se pode falar em um único movimento indígena no país, devido à diversidade histórica dos povos indígenas na Bolívia, pois existem vários envolvidos nas lutas sociais e políticas travadas, tanto em relação ao governo como também contra empresas transnacionais que atuam no país explorando seus recursos naturais. A Bolívia é rica em recursos naturais, mas extremamente pobre quando a questão é o usufruto coletivo dessas riquezas. Além de serem vários, os movimentos indígenas são muito distintos em suas reivindicações, em suas atitudes diante do Estado, em seus métodos de mobilização, em suas identidades e em suas bases sociais. Atualmente, esses movimentos formam uma força política indiscutível, sem a qual é impossível pensar a futura história estatal do país, como ficou demonstrado na eleição de Evo Morales (2006) e na intervenção da Petrobras pelo governo boliviano.

 

Colômbia

            As origens dos conflitos armados na Colômbia são, fundamentalmente, de ordem política doméstica e se associaram a um conjunto de fatores estruturais e outros que emergiram em diferentes conjunturas ao longo das últimas cinco décadas:

- o processo de formação do estado colombiano aconteceu sob um padrão de desarticulação regional, que ensejou (propiciou) uma cultura política autoritária e estruturas de poder difusas (indescritível);

- a propensão histórica na sociedade colombiana ao recurso à violência, visando à consecução (ato ou efeito de conseguir) de objetivos políticos;

- o caráter preponderantemente excludente das estruturas políticas e socioeconômicas do país;

- o padrão conflitivo de relacionamento entre os Partidos Liberal e Conservador;

- a proliferação de grupos guerrilheiros nas décadas de 1950 e 1960, no contexto da Guerra Fria (1947-1989) e sob forte influência dos ideais revolucionários propagados pela União Soviética, e, com maior impacto, o advento da Revolução Cubana (1959);

- a proliferação de grupos paramilitares e as diferentes estratégias contra-insurgentes (contra-rebeldes) levadas a cabo pelo governo colombiano entre os anos 1960 e 1980;

- a crescente influência do narcotráfico na vida nacional a partir da década de 1980, associado a problemas políticos e sociais enraizados na Colômbia (corrupção, impunidade, pouca credibilidade das instituições e da classe política e propensão à violência para dirimir – resolver – conflitos).

            O atual conflito armado tem suas origens na violência política que o país viveu na década de 1950, associada aos conflitos agrários e à hegemonia do sistema bipartidarista (dois partidos) como modelo principal do regime político colombiano. Neste, as classes dirigentes exerciam a orientação ideológica por intermédio de dois partidos políticos: Liberal e o Conservador. A partir de 1965, outros atores entraram nesse cenário de conflitos políticos, como os grupos de insurgência (rebeldes) armada que, com sua orientação ideológica de esquerda, surgiram como frentes de oposição ao regime político bipartidarista. A consolidação de organizações armadas de oposição aconteceu na década de 1960, quando apareceram no cenário nacional, entre outros e principalmente:

- as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARCs) que, arraigando-se nas localidades camponesas, são a mais antiga e até hoje ativa organização guerrilheira, cujo surgimento se deu como um movimento camponês e como organização armada inspirada no comunismo soviético. Na atualidade, conta com uns 15.000 militares repartidos em 60 frentes, agrupados em 7 blocos que operam em todo o país;

- o Exército de Libertação Nacional (ELN), organização que teve sua inspiração na Revolução Cubana e que, por adotar a figura de Camilo Torres (o sacerdote guerrilheiro) como seu principal símbolo, passou a denominar Unión Camilista Ejército de Liberación Nacional (UC-ELN), sendo a segunda organização armada de oposição que ainda continua ativa;

- o Exército Popular de Libertação (EPL), criado em 1965 como dissidência (separação) maoísta (corrente do comunismo baseada nos ensinamentos de Mao Tse Tung) do movimento colombiano e que, após seu processo de desmobilização e reinserção em 1990, passou a se denominar Movimento Esperanza, Paz y Libertad, com ativa participação na vida política nacional.

            Em meados da década de 1980 e, de forma mais clara, nos últimos dez anos, as pressões fronteiriças manifestaram-se com maior vigor. Os fatores que levaram o conflito a transcender (ultrapassar) suas origens e o âmbito doméstico (suas fronteiras), até então justificados como fatores externos condicionantes, mas não determinantes, foram o tráfico de drogas, de armas e munições e demais recursos para abastecimento dos movimentos guerrilheiros. É recorrente a presença de combatentes, narcotraficantes e outros ligados a atividades clandestinas em faixas de fronteiras ou mesmo em território de países vizinhos, interferindo também nos fluxos de migração forçada que acompanharam os momentos de escalada do conflito internamente. Esses fatores indicados afetaram diretamente as fronteiras da Colômbia com Peru, Equador e Venezuela (em função das conexões mais acessíveis que suas fronteiras propiciam para as rotas de tráfico e para a movimentação de pessoas e recursos ligados à guerrilha), e nos últimos anos, das fronteiras da Colômbia com o Panamá. O Brasil, por sua vez, aumentou a presença militar nas fronteiras com a Colômbia e ativou um sistema de vigilância do espaço aéreo amazônico sob sua jurisdição, procurando, assim, dissuadir e, eventualmente, repelir a presença de guerrilheiros em território brasileiro.

            Tanto a Colômbia, como também seus países vizinhos, foram afetados pela política de combate ao narcotráfico, empreendida pelos Estados Unidos a partir da década de 1980. Isso ocorreu em função do conflito ter sido redimensionado a partir de então, desencadeando processos inéditos, tais como:

- o deslocamento dos cultivos ilícitos de coca que, até meados da década de 1990, foi acompanhado pela importância adquirida pelas estruturas de controle do tráfico (grandes cartéis de Cali e Medellín), cujo desmantelamento, por sua vez, colaborou para aumentar o poder da rede mais difusa e articulada que lhes sucedeu;

- a crescente politização e influência que a política anti-narcóticos dos Estados Unidos assumiu no país e em toda a região, ocasionando uma progressiva dependência de parte dos países andinos e, em particular, da Colômbia. Esse último caso pode ser exemplificado com a cooperação norte-americana perante o enfrentamento do narcotráfico em suas distintas dimensões (produção, processamento, distribuição, consumo e lavagem de dinheiro);

- o crescimento da influência política e militar dos Estados Unidos ao longo da última década e, de forma pronunciada, no Governo de Álvaro Uribe, quando forte convergência foi estabelecida com o governo norte-americano quanto ao diagnóstico, à caracterização do conflito e às estratégias para enfrentá-lo, contribuindo de forma direta para que o conflito colombiano adquirisse projeção internacional e ampliado a partir da associação do conflito doméstico com o terrorismo após os atentados de 11/09/2001 contra os Estados Unidos;

- por último, em decorrência dos aspectos explicados, em virtude de incorporar um forte componente de militarização da região, a implementação do Plano Colômbia passou a ser motivo de grande preocupação para as sociedades e governos dos países vizinhos, inclusive o Brasil, em razão da presença intervencionista dos Estados Unidos na região. Tal fato modificou a percepção do problema pelos países vizinhos que, nos últimos anos, vêm esforçando-se para equilibrar a presença norte-americana, buscando formas de cooperação ativa com o governo colombiano.

 

Para maiores informações e detalhes, acesse esse site (http://pt.wikipedia.org) ou pesquise em livros didáticos e almanaques.

A questão étnico-cultural

            Com base nas noções de zonas ou focos de tensão, estudaremos os principais conflitos étnico-culturais e religiosos em andamento ou que tiveram intensa repercussão mundial, principalmente nas últimas décadas. É um conteúdo enfatizado pela mídia nacional e internacional, relacionado às questões políticas mundiais e cujo envolvimento e compreensão são fundamentais.

            A Geografia Política constitui-se num dos ramos mais fecundos da ciência geográfica e não deve ser confundida com a Geopolítica, pois, em síntese, o principal objetivo da primeira é analisar a dinâmica dos processos políticos no espaço, enquanto a segunda relaciona-se mais diretamente com as questões estratégicas e militares de determinado país. As zonas ou focos de tensão são os principais elementos de análise da Geografia Política (de acordo com o geógrafo francês Yves Lacoste) e podem ser definidos como espaços geográficos em que ocorrem, de forma aguda, conflitos de interesse entre duas ou mais unidades políticas – países – ou entre grupos humanos organizados nacional ou internacionalmente.

            Observem o mapa “Principais conflitos, final do século XX” na página 23 do caderno do aluno. Quando fazemos uma análise sobre determinado foco de tensão, não devemos perder de vista, ao menos, cinco cuidados fundamentais:

- identificação das partes envolvidas no conflito;

- estudo da posição geográfica da área, pois, não raras vezes, a localização estratégica de uma área constitui um dos elementos-chave do foco;

- estudo das relações de poder entre as partes envolvidas no conflito, tendo por base as noções de “centro” e “periferia”, onde uma das partes (Estado ou grupo humano) possui maior poder político, econômico, financeiro e militar, ou seja, condições socioeconômicas dos “personagens” envolvidos no mesmo conflito;

- ter cuidado em relação aos textos e às informações que são lidos, identificando a ideologia de quem fez a análise ou descreveu os acontecimentos relacionados ao foco de tensão estudado (por exemplo, as interpretações que são veiculadas pela mídia, pois existem diversas versões sobre um mesmo foco de tensão, como as notícias sobre a Guerra e ocupação anglo-americana contra o Iraque, em 2003: as notícias veiculadas pela CNN, rede televisiva dos Estados Unidos eram contraditórias as notícias veiculadas pela Al Jazira, rede de televisão árabe);

- identificação dos interesses e das forças envolvidos, considerando que um foco pode ter uma ou várias causas essenciais – diretas e indiretas.

            No início da década de 1990, com a desmontagem da velha ordem mundial baseada na bipolarização, chegou-se a pensar que o mundo entraria em um período de paz e solidariedade entre os povos. Apenas nos seis primeiros anos, após a Guerra Fria (1947-1989), as chamadas Forças de Paz da ONU (que dispõem de instruções estritas para lançar fogo somente como último recurso) realizaram mais operações militares em áreas do mundo onde ocorriam conflitos do que nos 40 anos anteriores. Em função dessa realidade e de outros aspectos, a nova ordem mundial durante os anos 1990 também ficou conhecida como “(des)ordem mundial”.

            Isso ocorreu após o término da Guerra Fria e concomitantemente com o fim do denominado conflito Leste-Oeste, período a partir do qual os conflitos, em sua grande maioria, deixaram de ter a conotação ideológica (capitalismo x socialismo) do passado, e passaram a ser influenciados, mais intensamente, por questões separatistas, religiosas e étnicas. Vamos abordar alguns pontos principais a respeito dos conflitos regionais e a questão das identidades socioculturais (étnicas, tribais e religiosas) no espaço mundial e as principais áreas de ocorrência dos conflitos no mundo. Não vamos aprofundar muito sobre cada conflito, pois não há tempo suficiente, mas você poderá obter maiores informações no site citado no final da matéria (são temas certeiros no vestibular).

 

Oriente Médio: a questão palestina

Palestina é o nome dado, desde a Antiguidade, à região localizada ao sul do Líbano e a nordeste da Península do Sinai, entre o Mar Mediterrâneo e o vale do Rio Jordão. Para entender, é como se fosse um bairro, uma região sem identificação no mapa mundi, por não ser um país. A Palestina foi conquistada pelos hebreus ou israelitas (mais tarde também conhecidos como judeus) por volta de 1200 a.C., depois que aquele povo se retirou do Egito, onde vivera por alguns séculos. Mas as sucessivas dominações estrangeiras deram início a um progressivo processo de diáspora (dispersão) da população judaica, embora sua grande maioria ainda permanecesse na Palestina. Nas duas rebeliões dos judeus contra o domínio romano (em 66-70 e 133-135 d.C.), o resultado foi desastroso: o Templo de Jerusalém foi arrasado, do qual restou apenas o Muro das Lamentações e os judeus foram proibidos de viver em Jerusalém, intensificando a diáspora dos judeus. A partir de então, os israelitas espalharam-se. Em 638, a região foi conquistada pelos árabes, no contexto da expansão do islamismo, e passou a fazer parte do mundo árabe, embora sua situação política oscilasse ao sabor das constantes lutas entre governos muçulmanos rivais. Finalmente, de 1517 a 1918, a Palestina foi incorporada ao imenso Império Turco. Os turcos, embora muçulmanos, não pertencem à etnia árabe. Em 1896, o escritor austríaco, de origem judaica, Theodor Herzl fundou o Movimento Sionista, que pregava a criação de um Estado judeu na antiga pátria dos hebreus. Esse projeto, aprovado em um congresso israelita reunido em Genebra, teve ampla ressonância junto à comunidade judaica internacional e foi apoiado, sobretudo, pelo governo britânico (apoio oficializado em 1917, em plena Primeira Guerra Mundial, pela Declaração Balfour). No início do século XX, já existiam, na região, pequenas comunidades israelitas vivendo em meio à população predominantemente árabe. A partir de então, novos núcleos começaram a ser instalados, geralmente mediante compra de terras aos árabes palestinos. Durante a Primeira Guerra Mundial, a Turquia lutou ao lado da Alemanha e, derrotada, viu-se privada de todas as suas possessões no mundo árabe. A Palestina passou então a ser administrada pela Grã-Bretanha, mediante mandato concedido pela Liga das Nações. Depois de 1918, a imigração de judeus para a Palestina ganhou impulso, o que começou a gerar inquietação no seio da população árabe. A crescente hostilidade desta última levou os colonos judeus a criar uma organização paramilitar (a Haganah), voltada para a autodefesa e mais tarde, para operações de ataque contra os árabes. Apesar do conteúdo da Declaração Balfour, favorável à criação de um Estado judeu, a Grã-Bretanha tentou frear o movimento imigratório para não contrariar os Estados muçulmanos do Oriente Médio, com quem mantinha proveitosas relações econômicas; mas viu-se confrontada pela pressão mundial da coletividade israelita e, dentro da própria Palestina, pela ação de organizações terroristas. Após a Segunda Guerra Mundial, o fluxo de imigrantes judeus foi grande. Em 1947, a Assembleia Geral da ONU decidiu dividir a Palestina em dois Estados independentes: um judeu e outro palestino. Mas tanto os palestinos como os Estados árabes vizinhos recusaram-se a acatar a partilha proposta pela ONU. Em 14 de maio de 1948, foi proclamado o Estado de Israel, que se viu imediatamente atacado pelo Egito, Arábia Saudita, Jordânia, Iraque, Síria e Líbano (1ª Guerra Árabe-Israelense). Os árabes foram derrotados e Israel passou a controlar 75% do território palestino. A partir daí, iniciou-se o êxodo dos palestinos para os países vizinhos. Atualmente, esses refugiados somam cerca de 3 milhões. Os 25% restantes da Palestina, correspondentes à Faixa de Gaza e à Cisjordânia, ficaram sob ocupação respectivamente do Egito e da Jordânia. A Cisjordânia incluía a parte oriental de Jerusalém, onde fica a Cidade Velha, de grande importância histórica e religiosa.

 

Europa: ETA e IRA

            Os bascos possuem uma cultura e língua própria, ocupando uma região ao norte da Espanha e uma parte sul do território francês, na vertente leste dos Pirineus (cadeia montanhosa na Europa), virada para o Golfo de Biscaia, região denominada Euskal Herria (País Basco). Fundada em 1959, a organização ETA (Euzkadi Ta Askatasuna, que significa, na língua basca, “Pátria Basca e Liberdade”) luta pela autodeterminação e independência do País Basco e de Navarra, por meio de ações armadas e terrorismo, nas quais os principais alvos são membros da guarda civil e do governo espanhol. A ETA reivindica, em território espanhol, a região chamada Hegoalde ou País Basco do Sul, que é constituído por Álava, Biscaia, Guipúscoa e Navarra e no território francês, a região chamada Iparralde ou País Basco do Norte, que é constituído por Labour, Baixa Navarra e Soule. A ETA sobreviveu na clandestinidade durante a ditadura de Francisco Franco (1939-1975) e contou com o apoio da população e internacional, por ser considerada uma organização anti-regime, mas foi enfraquecendo devido ao processo de democratização em 1977. O seu lema é Bietan jarrai, que significa “seguir nas duas”, ou seja, na luta política e militar.

Em 1900, foi fundado o Partido Nacionalista (Sinn Fein, que significa “Nós Mesmos”), na região sul da ilha irlandesa, com o propósito de reivindicar a autonomia perdida para os ingleses e protestantes. No início dos 1970, originou-se uma facção militar, o IRA – Exército Republicano Irlandês, a partir do Sinn Fein. O IRA é um grupo paramilitar católico e reintegralista, que pretendia a separação da Irlanda do Norte do Reino Unido e reanexação à República da Irlanda, praticando operações de guerrilha contra alvos ingleses e protestantes, até 28 de julho de 2005, quando aumentou o cerco contra o terrorismo nos Estados Ocidentais (lado esquerdo do mapa mundi) a partir do início do século XXI, aumentando as pressões políticas para que o IRA abandonasse em definitivo suas táticas violentas. A principal razão pela qual o IRA lutava era a igualdade religiosa, visto que 75% da população norte-irlandesa era protestante e o pouco que restava, católica, o que fazia com que houvesse desigualdade e preconceito entre as religiões. Como os protestantes eram maioria, decidiam candidaturas políticas e plebiscitos, entre outros, impedindo que a vontade católica se manifestasse.

 

Europa: conflitos no Cáucaso (o caso da Chechênia)

            Dentre os conflitos étnicos ou de nacionalidades no interior dos países da CEI (Comunidade dos Estados Independentes, antiga URSS), o caso dos movimentos separatistas da Tchetcheno-Inguchétia merece destaque. Trata-se de uma das ex-repúblicas que compunham a extinta URSS (1991). A Tchetcheno-Inguchétia reunia dois povos que lhe davam o nome, composta de população muçulmana. Era uma república autônoma antes da desintegração da União Soviética. Ninguém opôs maior resistência à conquista do Cáucaso pelos russos do que os tchetchenos, numa luta de oposição que remonta a 1818, mas cujo aprofundamento ocorreu em 1991, na ocasião da conturbada implosão da União Soviética. Posteriormente à desagregação desse país em 1991, os líderes políticos da Chechênia não aceitaram assinar o Tratado de Adesão à Federação Russa e proclamaram sua independência. Como o governo de Moscou não reconheceu essa iniciativa, a partir de 1994 passou a enviar tropas militares à Chechênia, acirrando os conflitos nessa antiga república soviética. Alguns dos interesses russos na região da Chechênia são a expansão de seu território e controle sobre as ricas áreas petrolíferas encontradas na região. Apesar de Moscou ter anunciado o fim das operações militares em 2000, os atentados contra as forças militares russas instaladas na Chechênia não cessaram.

 

África: Ruanda

            Embora em conflito desde a formação do país, o ponto alto do conflito entre as duas principais etnias do país, a tutsi e hutu, eclodiu em 1994, com a morte do presidente hutu Juvenal Habyariman, num acidente de avião provocado por um míssil. Em represália, as tropas da etnia hutu (85% da população do país) passaram a massacrar a minoria tutsi (14%) e os hutus de oposição. A Frente Patriótica Ruandesa (FPR), formada por extremistas tutsis exilados em Uganda, iniciou uma ofensiva que resultou no massacre de 800 mil hutus e na tomada do poder três meses depois. O saldo total da guerra foi de 1 milhão de mortos e 2,2 milhões de refugiados hutus nos países vizinhos (ex- Zaire, Uganda, Burundi e Tanzânia), de acordo com dados da ONU.

 

África: Angola

            Essa longa guerra civil, nesse país, tem dois protagonistas envolvidos. De um lado, o MPLA (Movimento pela Libertação de Angola), no poder, e a UNITA (União Nacional pela Independência Total de Angola). Nos anos 1994-1995, um acordo de paz interrompeu o conflito e a ONU enviou tropas de paz. Mas em virtude do descontentamento diante do acordo, por parte da UNITA, esta se recusou a devolver áreas sob seu controle e integrar um governo de coalizão (acordo) nacional, o que conduziu ao reinício do conflito em 1999.

 

Ásia: Caxemira

            A Índia e o Paquistão são nações criadas a partir da desagregação do Império Britânico das Índias, em 1947. Durante a Guerra Fria, o Paquistão inclinou-se a favor dos EUA, enquanto a Índia buscou auxílio da ex-URSS, o que explica, em parte, o fato de ambos disporem, atualmente, de armas atômicas. Essas armas representam um perigo, diante de um conflito antigo entre os dois países, que se arrasta por mais de cinqüenta anos: a questão da Caxemira. A Caxemira é uma província do norte da Índia cujo território é composto por 90% montanhas e que faz fronteira com a China e com o Paquistão, com cerca de 220 mil km2. A região, compartilhada pela Índia (cerca de 100 mil km2), Paquistão (cerca de 80 mil km2) e China (cerca de 40 mil km2), tem sido alvo de disputas territoriais entre esses três países desde o final da década de 1940. A origem do conflito remonta à partilha da Índia britânica, que deu origem, em 1947, a dois países: o Paquistão, com maioria da população muçulmana, e a Índia, majoritariamente hindu. O marajá de Caxemira (Hari Singh) solicitou o apoio de tropas indianas para se defender da invasão das tribos Pathans e em retribuição, assinou o Instrumento de Acesso à União Indiana, concordando que a região se tornasse no estado indiano de Jammu e Caxemira. A partir de então, o Paquistão reivindica a realização de um plebiscito em razão de 2/3 da população, de 7 milhões de habitantes, ser composta de muçulmanos. Os indianos, por sua vez, não aceitaram realizar um plebiscito, muito embora tenham cedido um terço do território ao Paquistão (Azad Kashmir). Consequentemente, ao lado do surgimento de uma guerrilha, ocorreram vários atentados terroristas contra a presença indiana no restante da Caxemira, como parte de ações voltadas para sua integração futura ao Paquistão. A disputa entre muçulmanos e hindus levou os dois países a duas outras guerras (1965 e 1971), sendo ainda hoje a principal razão para a corrida armamentista nuclear.

 

Para maiores informações e detalhes, acesse esse site (http://pt.wikipedia.org) ou pesquise em livros didáticos e almanaques.

1º DE MAIO - DIA DE LUTA

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Conflito na Serra Pelada - Sebastião Salgado

DIA DAS MÃES - UM GRANDE DIA

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08 DE MARÇO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

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UMA REFLEXÃO SOBRE O DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

PENSAMENTO VIVO

"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele ou por sua origem ou sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender. E se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto. A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta." Nelson Mandela

“Nós, que sobrevivemos aos campos, não somos as verdadeiras testemunhas. Esta é uma idéia incômoda que passei aos poucos a aceitar, ao ler o que os outros sobreviventes escreveram, inclusive eu mesmo, quando releio meus textos após alguns anos. Nós, sobreviventes, somos uma minoria não só minúscula, como também anômala. Somos aqueles que, por prevaricação, habilidade ou sorte, jamais tocaram o fundo do poço. Os que o fizeram, e viram a face das Górgonas, não voltaram, ou voltaram mudos”

Primo Levi, escritor italiano, foi um dos 23 sobreviventes entre os 649 judeus que foram encaminhados para Auschwitz com ele em abril de 1944.

A Terra em 100 Anos

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O UNIVERSO MACROSCOPICO E O MICROSCOPICO

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O Universo que existe em você, e você que existe no universo

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LOVE IS LOVE

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Reflita sobre o mundo

Simone de Beauvoir

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Pense sobre o mundo