"Este Blog foi criado para aproximar aqueles que se sentem indignados ao presenciar a injustiça, ocorra ela em qualquer parte do planeta. Ele foi criado para aqueles
que acreditam que o conhecimento crítico e o combate a alienação é a libertação do homem e a transformação do mundo. Sinta-se indignado, proteste, lute,
liberte-se, liberte o outro, transforme o mundo..." Prof. Claudenir

Liberté - Igualité - Fraternité / Revolução Francesa - 1789

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A Liberdade Guiando o Povo - Eugéne Delacroix

segunda-feira, 21 de março de 2011

Sobre a devastação do Japão – por Augusto Ribeiro 3°D noturno

O Japão foi devastado por um terremoto que acabou causando um Tsunami;muita luta está acontecendo para sobreviver...
Ouve uma explosão no reator da Usina Nuclear de Tukushima,foi liberado um vapor e ouve um isolamento num raio de 10KM sem riscos para os habitantes.Porém duas novas explosões e um reator em chamas,fez com que a Usina fosse isolada num raio de 30KM.
Ouve um vazamento grande de radiação.Na escala que vai até 07,o número de radiação constatada é de 06.Os japoneses estão com medo de contaminação,pois a radiação de 10 vezes maior que o comum,assusta.
Há um plano para tentar apagar o incêndio do reator 04,mais é muito perigoso,porque eles pensam em mandar helicópteros e bombeiros,mais a fumaça radioativa é muito grande,por isso nada é provável.
Não é indicado que as pessoas saiam de suas casas,mais para as que necessitam sair,é indicado que saiam com roupas compridas como: calças,blusas,sapatos,tocas...e com uma toalha sobre o rosto(a toalha ajuda a não respirar radiação,por isso deve ser usada tapando o nariz e a boca).Quando voltarem a suas casas,é preciso tirar toda a roupa,guardá-la em um saco plástico,e toma um banho.O Japão está distribuindo IODO não radioativo para os habitantes.O IODO ajuda a NÃO CONTAMINAR OS ORGÃOS.
Com esse desastre que está ocorrendo no Japão,várias pessoas de outros países ficam se perguntando:Será que podemos ser contaminados por essa radiação?Afinal,ela está no ar!A resposta para essa pergunta é não,não é possível a radiação atingir outros países.
Há somente uma preocupação para o Japão,o risco de chuva.Se chover,a radiação irá toda para o solo,causando grande contaminação.
Com o Tsunami,veio uma grande onda destruição e sofrimento para os habitantes,um número surpeendente de mortos,até agora foram encontrados mais de 3.370 mortos e mais de dez mil desaparecidos.Mais meio esses números chocantespodem ocorrer alegrias,um bebê de 4 meses foi encontrado depois de três dias do Tsunami.O bebê foi arrancado pelas ondas dos braços de seus pais.Apesar disso,o bebê foi entregue somente ao pai,pois sua mãe é umas das pessoas desaparecidas.
Apesar de tanta destruição em meio ao inverno japonês,os japoneses se mostram um povo calmo e disciplinado.Com o racionamento de água,alimentação,energia elétrica e outras coisas básicas,A TERCEIRA POTÊNCIA MUNDIAL,que está acostumada com o "muito",tem q sobreviver fazendo durar 1 litro d'água por 3 dias e só se alimentar a cada 2 dias.Isso é muito sacrifício.
A EMBAIXADA BRASILEIRA  junto com o empresário WALTER SAITO,estão comandando uma operação para a retirada,alimentação e segurança dos brasileiros que correm risco no Japão.Dois ônibus e helicópteros estão levando os brasileiros para lugares seguros à espera de passagens de volta ao Brasil,porém isso pode levar até 7 dias.
Mais quem vê a solidariedade,também vê as destruições...nessa segunda dia 14 de março às 22:30hrs,mais um terremoto mexxe com o Japão.Esse ocorreu na cidade de SHISOUKA,foi constatado que esse terremoto foi de 6.0,abalando mais quem vive no Japão.
OBS:Apesar da grande radiação da Usina Nuclear de Tukushima,não é a mesma intencidade de radiação da Bomba de Iroshima,nem a da Usina de Chernobyl
texto de:

Augusto Ribeiro  3°D noturno!!!

segunda-feira, 14 de março de 2011

O SENSORIAMENTO REMOTO - A DEMOCRATIZAÇÃO DAS INFORMAÇÕES

A partir do momento em que, pela primeira vez, uma pequena porção da superfície terrestre foi fotografada com a ajuda de um balão em 1858 (na França), o sensoriamento remoto apresentou um espetacular desenvolvimento. Recentemente, com o emprego do radar e dos satélites artificiais, o sensoriamento remoto tem contribuído enormemente para o desenvolvimento de diversos campos do conhecimento, tais como Geologia, Geografia, Geomorfologia, Oceanografia, Meteorologia, Cartografia e outros. “O sensoriamento remoto nada mais é do que “um recurso técnico para ampliar os sentidos naturais do homem”, ou seja,” é um dispositivo ou equipamento [câmara fotográfica, radar] que capta e registra, sob a forma de imagens, a energia refletida ou emitida pelas áreas, acidentes, objetos e acontecimento do meio ambiente, incluindo os acidentes naturais e culturais.

Aerofotogrametria
A câmara fotográfica foi o primeiro tipo de sensor remoto utilizado pelo homem. Hoje em dia, as câmaras fotográficas encontram-se bastante aperfeiçoadas.
O princípio da aerofotogrametria
O princípio usado pela aerofotogrametria pode ser descrito assim, resumidamente:
1º) de um avião devidamente equipado e mediante condições de tempo apropriadas, são feitas, ao longo de uma linha (reta) de voo, sucessivas exposições fotográficas de uma extremidade a outra da área, até cobri-la totalmente.
2º) Ao longo de cada faixa ou linha de voo, as fotos são feitas. Colocadas todas as fotos uma ao lado da outra, e obedecendo-se à orientação correta (linhas de voo, superposição etc.), teremos uma visão total da área. Para obtermos a visão tridimensional, recorremos ao estereoscópico, um instrumento ótico binocular que permite ver as imagens em terceira dimensão (em relevo).
 
Radar

O radar é um sensor ativo que, para obter a imagem de uma determinada superfície, emite fluxos de energia (ondas eletromagnéticas) através de uma antena que é simultaneamente transmissora e receptora, isto é, envia e depois recebe de volta a energia refletida pela superfície. A seguir, essa energia é processada e transformada em imagens por outros instrumentos do radar (receptor, amplificador e detector), e estas, finalmente, são registradas em fitas magnéticas ou em filmes. O Brasil iniciou, a partir de 1970, um amplo levantamento da Amazônia através do radar (Projeto radam ou Radambrasil) com a finalidade de elaborar um mapeamento da região abrangendo diversos aspectos tais como geológicos, geomorfológicos, de vegetação, hidrográficos, dos solos e do uso da terra. O trabalho de levantamento das imagens da região foi feito em cerca de doze meses, sendo que posteriormente outras regiões do país passaram a usar os serviços oferecidos pelo Radam.

Satélites Artificiais
No caso dos satélites artificiais, as primeiras imagens da Terra foram obtidas através de câmaras fotográficas, passando-se posteriormente a empregar outros tipos de sensores mais avançados e eficientes. Hoje, o sensoriamento remoto por meio de satélites representa o mais importante e eficiente recurso tecnológico de observação da Terra de que o homem dispõe.
Dentre os vários programas ou sistemas de sensoriamento por satélites, o mais importante é, sem dúvida, o Landsat, desenvolvido pela NASA (National Aeronautics and Space Administration). Esse sistema compreende uma série de cinco satélites, sendo que o Landsat 1 foi lançado em 1972 e o Landsat 5, em 1984. Os dados obtidos pelos satélites são transmitidos para uma estação terrestre, sendo depois processados e utilizados pelos especialistas interessados. O Brasil utiliza informações do sistema Landsat desde 1973. Para tanto, o país conta com uma estação terrestre de rastreamento e de recepção de dados, situada em Cuiabá (MT), e outra para processamento e distribuição dos dados, localizada em Cachoeira paulista (SP). O trabalho de rastreamento feito em Cuiabá abrange 90% da área da América do Sul. Além dos programas Landsat, o Brasil já recebe dados do programa espacial francês Spot, iniciado em 1986
 
Tipos de órbitas de satélites
Existem três tipos básicos de órbitas, dependendo da posição do satélite em relação à superfície da Terra:
Órbitas geoestacionárias (também chamada geossíncrona ou síncrona) - são aquelas nas quais o satélite está sempre posicionado no mesmo ponto sobre a Terra. Muitos satélites geoestacionários estão acima de uma faixa ao longo do equador, com altitude de aproximadamente 35.786 km, ou quase um décimo da distância até a Lua. A área de "estacionamento de satélites" está se tornando cada vez mais congestionada pelas centenas de satélites de comunicação, de televisão e meteorológicos. Cada um deles precisa estar muito bem posicionado para evitar a interferência com sinal de satélites adjacentes. Televisão, comunicações e programas meteorológicos usam satélites com órbitas geoestacionárias. Órbitas geoestacionárias são o motivo pelo qual as antenas parabólicas de TV DSS são colocadas numa posição fixa.
 

Os ônibus espaciais programados usam uma órbita assíncrona muito mais baixa, o que significa que passam pelo céu em diferentes horas do dia.
Em uma órbita polar, o satélite geralmente voa a baixa altitude e passa através dos polos da Terra em cada revolução. A órbita polar permanece fixa no espaço, à medida que a Terra rotaciona dentro da órbita. Como resultado, muito da superfície da Terra passa sob um satélite em órbita polar. Em virtude de essas órbitas alcançarem excelentes coberturas do planeta, elas são usadas para mapeamentos e fotografias.

sábado, 12 de março de 2011

REGIONALIZAÇÃO D ESPAÇO MUNDIAL


A Divisão por Continentes
Assim temos a Europa, Ásia, África, América do Norte, Central e do Sul e a Oceania.
OLYMPUS DIGITAL CAMERA         Essa divisão por continentes segue um critério natural muito primário: grandes porções de terra e grandes porções de água, os Oceanos. Mas mesmo tendo como base à natureza, podemos dividir a Terra em outras maneiras. Uma delas, também bastante antiga, é a regionalização por faixas climáticas. De acordo com o Clima podemos determinar algumas regiões: Zonas Polares: Ártica e Antártica, Zonas Temperadas do Norte e Sul e Zona Intertropical.
O clima faz com que essas regiões sejam muito diferentes uma das outras; basta lembrar das florestas.
Além dos Continentes e do Clima uma outra forma de se regionalizar a Terra ainda tendo como base à natureza, é através dos ecossistemas. Nesse caso todos os fatores naturais são considerados: Clima, Fauna, Relevos, Solo, Flora, Geologia.
- as zonas climáticas do globo
- os biomas terrestres (formações vegetais)
- os conjuntos geológicos (riquezas minerais)
- os conjuntos geomorfológicos (formas do relevo)
Agora vamos mudar o nosso olhar! Ao invés de destacar a natureza, vamos destacar a sociedade. Vamos pensar em critérios políticos e econômicos. Eles são hoje, os mais utilizados para dividir a terra em regiões. E o mais básico desse critério divide as nações do planeta levando-se em conta as condições econômicas e sociais.
Há algum tempo atrás podíamos dividir o mundo em três mundos diferentes: 1o, 2o e 3o mundos. No final dos anos 80 um desses três mundos praticamente desapareceu. Você sabe qual foi?
riqueza e pobrezaO Primeiro; O Segundo; O Terceiro;
O Primeiro Mundo era formado pelos países capitalistas ricos, desenvolvidos como os Estados Unidos, Japão e países da Europa Ocidental, por exemplo, Alemanha, França e Inglaterra.
O Segundo mundo pelos países socialistas liderados pela União Soviética;
O Terceiro pelos países pobres, subdesenvolvidos.
No final dos anos 80 a história deu uma importante guinada. As experiências socialistas praticamente desapareceram e com elas foi-se junto o 2º mundo. * "Começando nas Repúblicas Bálticas, Estônia, Letônia e Lituânia e depois se espalhando por todo o país, os nacionalismos outrora sufocados começaram a explodir. Diversas Repúblicas Soviéticas tornaram-se independentes. Temendo as consequências desse processo Gorbatchev cria a Comunidade dos Estados Independentes que substitua o regime centralizado de Moscou. Até hoje essa organização encontra-se indefinida e há muitos conflitos com a Rússia".
O mundo assistiu a desintegração, nem sempre pacífica, do Império. Mas não há muitos argumentos a favor do otimismo. A Comunidade dos Estados Independentes tomou o lugar da União Soviética.
Outra maneira de se regionalizar o mundo é a divisão em país Centrais e Periféricos. Centrais são os países Desenvolvidos que exercem influência sobre os países pobres ou Periféricos. Existem também países que são semi-periféricos, o Brasil é um exemplo desse tipo de país. Internacionalmente ele é Periférico, mas dentro do Cone Sul ele é Central, exportando seus produtos e serviços e com a mão de obra melhor qualificada que a de seus vizinhos.
Países Desenvolvidos:
As sociedades desses países são altamente consumistas isto é percebido sobretudo devido ao poder aquisitivo elevado da sociedade e a grande quantidade produtos com tecnologia avançada, que são lançados no mercado a cada ano. Se todas as nações do mundo passassem a consumir supérfluos com a mesma intensidade das nações desenvolvidas o mundo entraria em colapso, pois, não haveria matéria-prima suficiente para abastecer a todos os mercados.
A luta por melhores condições de vida da população é visível, principalmente no que diz respeito a uma melhor distribuição de renda, não existindo grandes disparidades entre uma classe social e outra. Para que isso fosse possível foi necessária à participação direta da sociedade, exigindo dos seus governantes uma postura voltada para os interesses da população.
Os governos passaram a cobrar mais impostos das classes sociais mais favorecidas em prol da sociedade. Os impostos cobrados são direcionados à construção de escolas, habitações, estradas, hospitais, programas de saúde, aposentadorias mais justas, etc., isto foi possível graças ao engajamento consciente de todos os cidadãos na formação do Estado Democrático.
A democracia existe de fato nas nações desenvolvidas, e consiste num Estado de direito que resulta de reivindicações permanentes por parte dos cidadãos. A democracia é um processo contínuo de invenção e reivindicações de novos direitos.

_POP_MUNDIALPaíses subdesenvolvidos:
Países que no passado foram colônias de exploração de países colonizadores e que devido ao fato de não receberem investimentos e atenção dos colonizadores, possuem hoje sérios problemas socioeconômicos:
Passaram por um grande processo de exploração durante o período colonial. Colônia de Exploração;
Baixo nível de industrialização, com exceção de alguns países como: Brasil, México, os Dragões de Exploração;
Dependência econômica, política e cultural em relação às nações desenvolvidas;
Deficiência tecnológica e baixo nível de conhecimento científico;
Rede de transporte e meios de comunicação deficientes;
Baixa produtividade na agricultura que geralmente emprega numerosa mão de obra;
População Ativa empregada principalmente nos setores primários ou no setor terciário em atividades marginais (camelôs, trabalhadores sem carteira assinada etc.). Exemplo: Brasil, Etiópia, Uruguai;
Cidades com crescimento muito rápido e cercado por bairros pobres e miseráveis;
Baixo nível de vida da maioria da população;
Crescimento populacional elevado;
Elevada taxa de natalidade e mortalidade infantil;
Expectativa de vida baixa.
Existem países subdesenvolvidos que são fortemente industrializados como é o caso do Brasil, México, Argentina, Dragões Asiáticos, etc. A industrialização existente nesses países na verdade é sustentada por países desenvolvidos, que os utilizam para expandir seus parques industriais e garantir lucros vultosos. Um exemplo nítido de expansão industrial é, o caso dos Dragões Asiáticos que evoluíram enormemente nas últimas décadas, principalmente no setor industrial através do capital e tecnologia japonesa.
Alguns fatores atraem esses investimentos estrangeiros para os países subdesenvolvidos, como:
Mão de obra barata e numerosa;
Muitas vezes são isentos de pagamento de impostos;
Doação de terrenos por parte do governo;
Remessa de lucro das transnacionais para a sede dessas empresas;
Legislação flexível.

Países Emergentes
Na nova ordem mundial, o conflito Leste-Oeste da guerra fria foi substituído pelo conflito Norte-Sul, que opõe entre si as grandes diferenças que separam a riqueza, a tecnologia e o alto nível de vida, da pobreza, da exclusão dos novos meios técnico-científicos e dos baixos níveis de vida.

Mundo Bipolar
Antes da Segunda Guerra havia uma ordem mundial multipolar, ou seja, com base em vários polos ou centros de poder que disputavam a hegemonia (supremacia) internacional: a Inglaterra, a França, e a Alemanha, eram grandes concorrentes no continente europeu e também na colonização da África e da Ásia; os Estados Unidos, que já se tornara uma potência no continente americano, o Japão e a Rússia.
O final da Segunda Guerra trouxe um novo cenário: as potências europeias estavam arrasadas; o Japão também saiu arrasado da guerra e perdeu as áreas que havia conquistado no Oriente (Coréia, Manchúria e parte da Sibéria, etc.). Duas novas potências mundiais - Estados Unidos e a União Soviética - passaram a dividir o mundo entre si. Foi a época da bipolaridade, da ordem mundial bipolar, baseadas em dois polos ou centros de poder, que durou cerca de 45 anos, desde o final da Segunda Guerra Mundial até por volta de 1991.
Ò mundo bipolar foi marcado pela disputa entre o capitalismo e o socialismo. Cada grande superpotência liderava seu bloco de países: os Estados Unidos eram o líder econômico e político-militar do mundo capitalista, e a União Soviética, a guardiã e exemplo a ser seguido do antigo mundo socialista. Essa ordem mundial entrou em crise no final dos anos 80, devido a um maior crescimento de outros centros capitalistas (Japão e Europa Ocidental), que passaram a disputar a supremacia internacional com os Estados Unidos, e ao esgotamento do sistema socialista adotado pela União Soviética e demais países desse bloco.

 

A divisão norte-sul
O fim da Guerra Fria, o declínio econômico relativo dos Estados Unidos e da União Soviética, a unificação econômica e política da Europa, o crescimento econômico do Japão, o surgimento dos tigres asiáticos e o rápido desenvolvimento das reformas chinesas liquidaram com a bipolaridade que opunha Estados Unidos e União Soviética. Embora os Estados Unidos se mantenham como uma superpotência militar, o mundo tende para uma multipolaridade econômica e política que pode evoluir também para uma multipolaridade militar.
Divisão Norte-Sul – Divisão simbólica para caracterizar as diferenças de riqueza e renda entre os países do chamado Primeiro Mundo, a maioria situada ao norte do equador, e os países pobres do Terceiro Mundo, a maior parte deles ao sul.
Com a crise do mundo socialista, aumenta a oposição entre o Norte industrializado e o Sul subdesenvolvido. Isso porque deixa de haver o conflito Leste-Oeste, ou seja, entre o socialismo real e o capitalismo. As duas potências tinham, nas últimas décadas, um poderio avassalador e quase nenhum conflito importante no plano mundial deixava de ter a participação direta ou indireta delas.

Uma guerra civil num país africano ou asiático, por exemplo, mesmo que tivesse uma razão étnica, sempre acabava sendo instrumentalizada (armada) pelas duas superpotências. Uma delas ajudava de um lado - oferecendo armamentos e auxílio financeiro - e a outra fazia o mesmo com o outro lado da disputa. Isso dava a impressão que um dos lados combatia pelo socialismo e que o outro defendia o capitalismo ou a democracia.
Com isso, a oposição entre o Norte rico e o Sul pobre nunca transparecia claramente, ou dominada pelo conflito entre Leste socialista e o Oeste capitalista. Com a crise do socialismo, a oposição Norte-Sul torna-se mais direta, mais visível.
Outro fato que reforça a oposição Norte-Sul é a volta dos países socialistas ao mundo capitalista. Esses países do Segundo Mundo não podiam, até o final dos anos 80, ser perfeitamente classificados nem ao Norte (desenvolvidos), nem ao Sul (subdesenvolvidos), pois não possuíam empresas particulares e muito menos firmas estrangeiras em seus territórios, tinham um comércio externo relativamente pequeno e uma distribuição social da renda mais ou menos equilibrada, sem os violentos contrastes que existem nos países subdesenvolvidos (onde as camadas mais ricas concentram grande parte da renda nacional e as camadas mais pobres da população ficam com uma parcela mínima dessa renda).

Hoje esses países têm novamente empresas privadas e filiais de firmas estrangeiras, abrem-se cada vez mais para o comércio mundial e as diferenças salariais e de rendimentos, em geral, vem se ampliando. Dessa forma eles já podem em grande parte ser classificados como Norte desenvolvido (caso das economias mais industrializadas) ou Sul subdesenvolvido (caso da maioria dos países que adotaram a economias planificadas.
De forma resumida podemos dizer que isso se deve ao seguinte: enquanto as economias mais avançadas do Norte industrializado estão atravessando a chamada revolução técnico-científica, com substituição de força de trabalho desqualificada por máquinas (especialmente robôs), com a expansão da informática, etc., os países mais pobres do Sul só têm duas coisas a oferecer - matéria-prima e mão de obra -, e esses dois elementos perdem valor a cada dia. Em grande parte já terminou a época da mão de obra desqualificada e a importância dos minérios e gêneros agrícolas em geral. Somente os países com uma força de trabalho qualificada (resultado de um ótimo sistema educacional) e tecnologia avançada é que possuem condições ideais para o desenvolvimento.
Todos os países do Sul ou do Terceiro Mundo são economicamente dependentes dos países desenvolvidos. Tais dependências manifestam-se de três maneiras:
Endividamento externo. Normalmente todos os países subdesenvolvidos possuem vultosas dívidas para com grandes empresas financeiras internacionais, localizadas nos países desenvolvidos.

Relações comerciais desfavoráveis. Geralmente os países subdesenvolvidos exportam para as nações ricas produtos primários (não industrializados), como gêneros agrícolas (café, açúcar, algodão, etc.) e minérios de ferro, cobre, manganês, etc. As importações, por sua vez, consistem basicamente em artigos manufaturados (industrializados), material bélico e produto de tecnologia avançada (aviões, computadores, máquinas automatizadas, etc.). Tais relações mostram-se desvantajosas para o Terceiro Mundo, pois os artigos importados têm os preços bem mais altos que os exportados.
Forte influência de empresas estrangeiras. Nos países subdesenvolvidos, boa parte das principais empresas industriais, comerciais, mineradoras e até agrícolas é de propriedade estrangeira, possuindo matriz nos países desenvolvidos (multinacionais). Uma grande parcela do lucro dessas empresas é remetida para as matrizes, o que provoca acentuada descapitalização nos países do Terceiro Mundo.
Grandes Desigualdades Sociais
Em todos os países subdesenvolvidos, a diferença entre ricos e pobres é muito acentuada, bem maior que nos países desenvolvidos ou do Norte. Dessa forma a população de baixa renda acaba tendo sérios problemas de subnutrição, falta de moradia, inadequado atendimento médico-hospitalar, insuficiência de escolas, etc.
O mundo multipolar
Com o fim da bipolaridade, os Estados Unidos viram-se transformados na potência "vencedora" da guerra fria e assumiram o papel da grande potência mundial. Entretanto, apesar do indiscutível poderio americano, Japão e Alemanha (hoje reunificada e integrando a União Europeia) também apareciam como polos da economia mundial, que se tornou, então, multipolar.
Essa nova situação, que o presidente norte-americano George Bush chamou de nova ordem mundial na Conferência de Malta, em 1989, na verdade não trouxe muita coisa de novo. O que deixava de existir era a velha ordem bipolar e a rivalidade entre sistemas econômicos opostos que buscavam competir usando a capacidade militar.
Com a volta do mundo (com raras exceções) ao capitalismo, que prioriza o lucro e a propriedade privada, a economia mundial passou a funcionar segundo a lógica desse sistema.
A multipolaridade, isto é, o aparecimento de novos polos econômicos, nada mudou na distribuição da riqueza no mundo. Os países ricos continuam ricos. E os pobres (ex-Terceiro Mundo) continuam pobres. Sem inimigo a ser vencido, a corrida armamentista perdeu força. A busca de novas estratégias para ganhar mercados passou a ter prioridade na ordenação econômica do mundo.
Porém devemos admitir que mudanças fundamentais ocorreram nessa fase do capitalismo financeiro, que passou a ser chamada de.globalização. Na globalização, há um crescente aumento dos fluxos de informações, mercadorias, capital, serviços e de pessoas, em escala global. São as redes, que podem ser materiais (transportes) ou virtuais (Internet). A integração de economias, culturas, línguas, produção e consumo, através das informações, transformaram o mundo em uma aldeia global.
Essa nova ordem costuma ser definida como multipolar. Isto quer dizer que existem vários polos ou centros de poder no plano mundial. Normalmente consideram-se três grandes potências de poderio econômico, tecnológico e político-diplomático: os Estados Unidos, o Japão e a União Europeia (Europa Ocidental). Existe ainda a possibilidade do fortalecimento de dois outros polos, a Rússia e a China, bem menos importantes que aqueles três.
Na nova ordem, não há mais uma única oposição Leste-Oeste, ou socialismo-capitalismo.
No lugar de um mundo simples, temos uma realidade mais complexa, com múltiplas oposições ou tensões, de diversas natureza, diferença entre países ricos e pobres, entre povos cristãos ou hinduístas e povos islâmicos, entre os interesses mercantis que degradam o meio ambiente e a consciência de que devemos preservar a natureza, etc.

Divisão Internacional Do Trabalho
Geograficamente falando essa distribuição de tarefas é de muita importância, pois é isso que em grande parte nos explica muitas das nossas paisagens que até hoje podemos observar nas chamadas áreas subdesenvolvidas” do globo.
À África e a América latina, por exemplo, foram impostas funções como as de fornecimento de mão de obra escrava e matérias primas, tais funções se traduziram nesses locais em paisagens bastante diferentes daquela que observamos nos países da Europa.
Neste sentido os europeus desenvolveram um intenso processo de colonização, marcados pela desorganização nas formas de produzir, circular e pensar dos povos nativos das áreas colonizadas, onde ação genocida e etnocida, além da desterritorialização foram pontos importantes no sentido de consolidar o poder do colonizador e abrir caminho para reorganizar o espaço dessas áreas com a perspectiva de atender o desejo de acumulação de riquezas da burguesia europeia.
No entanto, o sistema capitalista só iria se consolidar definitivamente no século XVIII, cuja intensa transformação do processo produtivo ficou conhecida historicamente como Revolução industrial dividindo-a em três etapas: Primeira a Segunda e a Terceira Revolução Industrial.
Nesse período a divisão internacional do trabalho (DIT) iria sofre modificações devido o surgimento de um novo modelo de produção, já que não era mais suficiente aquele modelo em que o trabalhador se agrupava em vilas de aldeões para que a partir das oficinas de ofício desenvolvesse o seu trabalho. Por advento da revolução industrial esse sistema foi sendo deixado de lado, pois era bem mais lucrativo para os capitalistas produzirem em fábricas do que ficar dependente dos artesões. Por este motivo iniciou-se uma nova fase na DIT (divisão internacional do trabalho) que vai da revolução industrial até a segunda guerra mundial.
Nesse momento o mudo está dividido em países que se especializaram em fornecer matérias primas e países que se especializaram em fornecer produtos industrializados. É interessante perceber todos os países que se especializaram no fornecimento de matérias primas sofreram um fenômeno conhecido como descapitalização, e o seu futuro ficou fadado ao subdesenvolvimento, como exemplo podemos citar: BRASIL, ARGENTINA e o restante da AMÉRICA LATINA.

Por outro lado todos aqueles países que se especializaram em produzir produtos de valor, isto é, produtos manufaturados ou industrializados tornaram-se países desenvolvidos e lideres do sistema capitalista.
A fase de desenvolvimento do capitalismo após a segunda guerra mundial ficou conhecida com capitalismo financeiro, e novamente acarretou varias modificações na divisão internacional do trabalho (DIT). Foi nessa época que os países desenvolvidos trataram de consolidar a dependências dos países subdesenvolvidos principalmente através de empréstimos, financiados pelos países detentores de capital, a partir deste momento vários países passaram a desenvolver indústrias dentro do seu território como foi o caso do Brasil Argentina e países do sudeste asiático.
Outro fato a ser destacado é a mudança ocorrida no mundo do trabalho, já que o modelo de produção estava sendo substituído, pois o fordismo já não mais dava conta da demanda e não atendia mais as exigências do mercado internacional. O Japão foi um dos países pioneiro na passagem do fordismo para a fase pós-fordismo, para acumulação flexível.
Blocos econômicos
A formação de blocos econômicos é uma regionalização dentro do espaço mundial, mas também uma forma de aumentar as relações em escala global, pois, ao participar de um bloco, um país tem acesso a vários mercados consumidores, dentro e fora do seu bloco.
Os principais blocos regionais são: União Europeia, MERCOSUL, Nafta e Apec.

A Regionalização
Surge em decorrência do avanço do sistema capitalista, que no final do século XX apresenta-se em um estagio nunca antes visto. Este estágio de desenvolvimento capitalista provocou uma mudança estrutural no comércio mundial, e para acompanhar, tais mudanças, os estados nações tiveram que se adequar à nova forma de interação existente no mercado mundial.
Aparece um novo paradigma de produção, consumo e comercialização. Isso fez com que os países passassem a se organizar em blocos econômicos de poder, para que a partir de então conseguissem ingressar com sucesso na nova configuração econômica mundial.

A globalização de ideias
Esse processo de integração mundial, chamado globalização, não é só econômico. Ele tem ao mesmo tempo uma dimensão política, social e cultural.
Para se estabelecer mundialmente, a grande empresa precisa da globalização cultural. O lazer, as formas de se vestir, as revistas, os jornais, as formas de consumo precisam ser parecidas em qualquer lugar do mundo.
O rádio e a televisão têm um papel importante na formação dessa cultura, pois, ao mesmo tempo que divulgam músicas, filmes e informações, sugerem um padrão de vida e de consumo que deve ser seguido para alcançar a felicidade.
Daí a importância de preservar e valorizar as culturas e identidades próprias de cada país, ameaçadas de desaparecer, como as fronteiras do capital e do comércio mundial.

A globalização do crime
As atividades do crime organizado também se beneficiam das facilidades tecnológicas das comunicações do mundo globalizado.
O tráfico de drogas, de mulheres e crianças, as "máfias" de várias nacionalidades (chinesa, japonesa, coreana), além da original italiana, encontram mais facilidades para expandir suas ações criminosas. O terrorismo espalha mais rapidamente suas células de ação pelo mundo graças a essas facilidades.

A ordem mundial pós- 11 de setembro
O dia 11 de setembro impôs final súbito à era pós-guerra Fria que havia começado quase exatamente 12 anos antes. Aquele período originou-se da queda dramática do Muro de Berlim na noite de 9 de novembro de 1989, acompanhada em rápida sucessão pelo colapso do comunismo na Europa Oriental, pelo final da Guerra Fria e, em dezembro de 1991, pela dissolução da União Soviética. Pela primeira vez em mais de meio século, os Estados Unidos pareciam não mais enfrentar uma grande ameaça isolada à sua segurança nacional e ao seu modo de vida. No final da década de 1930 e na Segunda Guerra Mundial, essa ameaça veio do fascismo. Durante a Guerra Fria, era a União Soviética e o comunismo soviético. Nos dois casos, o perigo era expressivo e sem ambiguidades. O dia 11 de setembro marcou o início de uma nova era no pensamento estratégico norte-americano. Os ataques terroristas daquela manhã tiveram impacto comparável ao ataque a Pearl Harbor em sete de dezembro de 1941, que lançou os Estados Unidos para a Segunda Guerra Mundial. Antes de 11 de setembro, o governo Bush encontrava-se na fase de desenvolvimento de uma nova estratégia de segurança nacional. Isso estava sendo feito com a Análise Quadrienal da Defesa, bem como em outros cenários. Em um momento, entretanto, os ataques de 11 de setembro transformaram o ambiente de segurança internacional. Uma ameaça totalmente nova e perniciosa subitamente tornou-se realidade e ditou uma nova e importante estratégia para os Estados Unidos. Esta nova política, agora cognominada "Doutrina Bush", concentra-se na ameaça do terrorismo e das armas de destruição em massa.

quinta-feira, 10 de março de 2011

A GÊNESE GEOECONÔMICA DO TERRITÓRIO BRASILEIRO

A Produção Da Cana-De-Açúcar (Séc. XVI-XVII)
Para montar engenhos, além das terras para o plantio, era necessário contar com escravos, adquirir bois, cavalos, barcos, ferro e cobre etc. Em suma, o engenho exigia muitos investimentos, sendo, portanto, uma atividade que não era para qualquer um.Os colonos que não podiam arcar com os gastos da preparação do açúcar tornavam-se fornecedores de cana aos senhores de engenho. Assim, os senhores de engenho trabalhavam com a cana de suas próprias plantações e com aquela fornecida por colonos de menores posses.
Parte da fazenda era destinada a criação do gado necessário ao transporte da cana dos partidos até a casa do engenho, e do açúcar até o porto de embarque. Os carros de boi foram muito utilizados como meio de transporte, principalmente quando não havia trechos navegáveis dos rios.Completando a paisagem geográfica e social, havia a casa grande (moradia dos senhores), a casa do engenho (conjunto de construções destinadas a fabricação do açúcar) e a senzala (onde os escravos viviam amontoados).
Muitas fazendas, com seus engenhos, pomares e criação de gado, eram praticamente auto-suficientes. A exploração do trabalho escravo permitia aos senhores de engenho contratar homens com algum conhecimento técnico para tarefas especializadas, como os mestres de açúcar, os purgadores e os caldeireiros.
O objetivo da produção açucareira era o mercado externo. Seu funcionamento envolvia muita gente. Por isso, no interior da agricultura colonial-escravista tínhamos dois setores:
• setor de exportação;
• o setor de produção de alimentos;
O setor exportador era a atividade principal, ocupava os melhores solos dos imensos latifúndios, empregava o trabalho escravo e avançava sempre sobre as terras férteis da floresta (plantation). A margem da atividade principal aparecia o setor de subsistência. Assim, os escravos cuidavam de sua própria alimentação diminuindo os gastos dos senhores com importação de gêneros alimentícios.

A Economia Colonial No Século Xvii
A produção de alimentos era subordinada a atividade principal do latifúndio e variava de acordo com os preços do açúcar no mercado mundial. Quando os preços do açúcar subiam no mercado, todas as terras e os escravos eram utilizados para expandir a produção, sobrando pouca terra para a agricultura de subsistência. A queda dos preços do açúcar implicava a redução das rendas, obrigando os senhores a reduzirem as despesas com a manutenção dos escravos. Quanto mais "doce" (de cana-de-açúcar) a paisagem, mais amarga era a vida dos escravos. A alta dos preços do açúcar era acompanhada da expansão dos canaviais, que invadiam não só as áreas da mata, mas também as terras dos lavradores, restringindo a produção de alimentos. Quando os preços entravam em declínio, os latifundiários alugavam pedaços de terra aos lavradores que podiam aumentar o cultivo para abastecimento de suas famílias, dos próprios latifúndios, das vilas e das cidades próximas. Como se vê, o poder dos senhores de engenho repousava, no fundo, nas imensas terras que possuíam. A vida dos demais habitantes ficava à mercê dos interesses desses grandes latifundiários e dos preços do açúcar no mercado mundial. Na segunda metade do século XIX, com a diminuição da importação de escravos, a Zona da Mata nordestina sofreu uma modernização nas suas técnicas com a introdução das usinas no lugar dos engenhos e da ferrovia no lugar dos carros de bois. A organização do espaço geográfico modificou-se, pois aqueles que se transformavam em usineiros aumentavam seu poder de influência por poderem transformar mais cana que os antigos engenhos. Estes se transformaram em fornecedores de cana das usinas, e muitos deles entraram em decadência. No entanto, a grande usina sofria dos mesmos males dos antigos engenhos: a oscilação dos preços do açúcar no mercado externo. Além disso, o poder dos latifundiários da cana já não era o mesmo na segunda metade do século XIX, pois o café se desenvolvia no Sudeste brasileiro, e o Brasil se destacava como o mais importante produtor mundial. Sem falar que, mesmo na região Nordeste, o século XIX verá o prestígio econômico e político começar a deslocar-se da Zona da Mata para o sertão. Com o, algodão.

A Atividade Pecuarista: O Gado (Séc. Xvi-Xvii)
Nem só de açúcar vivia o Nordeste. A pecuária, desde o início, esteve vinculada a lavoura canavieira. Nos engenhos nordestinos o gado era necessário para o transporte da cana no interior das fazendas e à geração da força motriz nas moendas de cana. Sem falar do consumo de sua carne e de seu couro.
Os donos de engenho costumavam destinar as áreas mais distantes à criação de animais, evitando ocupar as terras das plantações. Criados soltos em parcelas dos imensos latifúndios, os rebanhos se multiplicavam acompanhando às necessidades da lavoura canavieira. Mas o gado exigia cada vez mais pastos e começou a disputar terras com a lavoura canavieira. Ora, essa lavoura era a atividade lucrativa mais importante da colônia no seu início, e a coroa portuguesa não tardou a agir. Em 1701 a metrópole proibiu a prática da pecuária no litoral nordestino. Entre a cana-de-açúcar e o gado, a preferência só podia ser da primeira. Como se vê, decisões políticas acabam definindo o uso e a organização do espaço geográfico (Geopolítica – Estratégica). Assim, o gado teve que pastar em outro lugar, indo ocupar as terras menos úmidas e menos férteis do agreste e do sertão nordestino.

Interiorização Do Gado A Partir Do Nordeste A Expansão Da Pecuária
O agreste, com seu relevo suavemente ondulado, ofereciam amplas extensões facilmente aproveitáveis como pastos. A vegetação natural, por sua vez, não exigia outro cuidado, além da queimada dos arbustos de maior porte, fornecendo diferentes tipos de forragens para o gado. Nas manchas úmidas do agreste, os chamados brejos, praticava-se uma agricultura de subsistência para o abastecimento das fazendas. Assim, foi-se formando a paisagem do agreste. O gado, no entanto, expandiu-se pelo sertão. A escassez de água é um problema nesta área — daí as fazendas de gado terem-se estabelecido junto aos rios. Não é a toa que o rio São Francisco era conhecido como rio dos Currais. A caatinga (vegetação do nordeste) nem sempre garantia a subsistência dos rebanhos. O gado resistia as difíceis condições do clima e da vegetação, tendo de ocupar grandes extensões de terras para conseguir a alimentação necessária. O gado pastava solto — as cercas eram raras — e vivia sob a vigilância dos vaqueiros. Do rio São Francisco até o rio Parnaíba, a criação de gado foi ocupando as chapadas cobertas pela caatinga.

As Frentes de Expansão Econômicas As “Drogas do Sertão” (século XVII e XVII)
No vale do rio Amazonas, as constantes incursões estrangeiras estimularam a intervenção da coroa portuguesa, através da implantação de fortes a princípio na embocadura do rio Amazonas (Belém/Macapá) e do incentivo à ação de missões católicas, estas penetraram nos confins da região, viabilizando a exploração dos produtos da floresta (“drogas do sertão” - canela, cravo, salsaparrilha, cacau nativo) e ao mesmo tempo domesticavam a mão de obra nativa, facilitando a hegemonia lusa na região. Essa expansão foi possibilitada graças à União Ibérica (1580/1640) que veio a facilitar a ação no interior da região sem nenhum impedimento fronteiriço e, realizada a separação, fez-se necessária uma nova divisão política em que se reconheceu o uti possidetis. Ao longo do curso do Amazonas e partindo das fortificações de Belém, os portugueses lançaram expedições oficiais destinadas a estabelecer a presença colonial por todo o vale do grande rio. Entre as inúmeras expedições, destaca-se a bandeira fluvial de Pedro Teixeira (1637/1639), marco das explorações amazônicas oficiais e da epopeia do bandeirante Antônio Raposo Tavares (1648/1651).
No plano da construção espacial brasileira, as bandeiras ampliaram o limite do território conhecido, e funcionavam, ao menos objetivamente, como vanguarda do poder colonial. A coroa portuguesa, manobrando persistentemente e meticulosamente para a expansão geográfica da sua soberania, ordenou a construção de fortificações ao longo do perímetro exterior das expedições. Assim surgiram os fortes de São Joaquim (RR), São José das Marabitanas (Alto Rio Negro), São Gabriel (Rio Negro), Tabatinga (Rio Solimões) e Príncipe da Beira (Rio Guaporé), balizando o contorno das nossas fronteiras terrestres.

A Amazônia no século XIX – A Economia da Borracha
Paralelo a expansão cafeeira, ocorria na Amazônia o boom da borracha (fim do século XIX e início do XX). A produção de látex foi transformada num dos elementos mais importantes do espaço amazônico. O seringal se constituía em grandes propriedades no interior da floresta, controladas pelos seringalistas. O responsável pela extração do látex era o seringueiro. A borracha atraiu para a região amazônica muitos migrantes nordestinos (arigós) que se transformaram na mão de obra. Estes trabalhavam através do Sistema de Aviamento no interior dos seringais. Houve um deslocamento de nordestinos muito intensa para o extremo oeste da Amazônia, garantindo com isso a posterior anexação de mais um Estado ao território nacional, que foi o Acre, através do Tratado de Petrópolis (1903). Alguns migrantes nordestinos, entretanto, se estabeleceram nas proximidades de Belém, onde deram início a uma importante agricultura praticada em pequenas propriedades familiares. A maioria das cidades existentes no nordeste paraense (região bragantina – área que vai de Belém a Bragança) teve sua origem nas colônias agrícolas implantadas por nordestinos. Em outras áreas da Amazônia também foram implantadas colônias agrícolas semelhantes como foi o caso de Santarém e Monte Alegre, ambas no Pará.

A Borracha mudou o Espaço
Ela passou a ser uma importante matéria-prima para as indústrias. O espaço geográfico amazônico, em consequência, passou por grandes transformações, como veremos a seguir. O seringal foi transformado num dos elementos mais importantes do espaço da produção regional (...)
O crescimento econômico e populacional atraiu também a indústria para a Amazônia. Variadas fábricas, ligadas, sobretudo ao setor de bens de consumo, se estabeleceram nas principais cidades, destacadamente em Belém e Manaus. (...) as atividades produtivas mais tradicionais: a roça, a coleta, a pesca e a caça não deixaram de existir. Se a borracha e a indústria eram fonte de riqueza da elite, as atividades tradicionais permaneceram, sobretudo, como fonte de sobrevivência de uma grande parcela populacional.
O comércio gerado pela exportação da borracha intensificou a circulação de pessoas e de produtos. Para facilitar o escoamento da produção e receber as mercadorias compradas no estrangeiro, foram construídos os portos de Belém e Manaus. Neste período, até ferrovias foram implantadas para agilizar o escoamento da produção regional: a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré escoava a borracha de Guajará-mirim até Porto Velho, cidades localizadas no Estado de Rondônia; a Estrada de Ferro Bragantina - escoava a produção agrícola na rota Bragança - Belém, no Estado do Pará; a Estrada de Ferro do Tocantins - escoava a produção extrativa, principalmente a castanha, existente no sudeste do Pará, até a cidade de Marabá (PA). À medida que novas áreas iam sendo ocupadas, como os vales dos rios Madeira, Purus e Juruá, surgiam novos núcleos urbanos, que, na sua maioria, eram sedes de seringais. É o caso de Xapuri e Brasiléia, ambas no Estado do Acre. Eram os seringais virando cidades.
Nas grandes cidades da região, a elite, formada pelos barões da borracha, impõe um novo modo de vida baseado em ideias trazidas da Europa. Vive-se a Belle Époque, termo francês que se refere a um período marcado por construções urbanas de grande beleza (palacetes, igrejas, praças e parques públicos, bosques, etc.), assim como de espaços culturais (teatros, cinemas, escolas, bibliotecas e arquivos públicos, jornais, etc.). As ideias europeias se tornaram presentes no espaço amazônico, para atender aos caprichos e gostos da elite. Por isso mesmo, apenas uma pequena camada da sociedade amazônica pôde beneficiar-se das inovações. (...) esse período de crescimento econômico e intensa reorganização do espaço entra em crise devido à concorrência feita pela borracha produzida na Ásia. A crise freou o crescimento da maioria das cidades. Entretanto, algumas não sofreram tanto com essa queda devido à existência de outras atividades econômicas, como o plantio de juta nas várzeas do Médio-Amazonas e o extrativismo da castanha-do-pará, no sudeste paraense.

O Brasil do Século XIX: A economia Cafeeira
O contexto em que ocorreu esta atividade foi a primeira metade do século XIX até meados do século XX. Iniciando seu cultivo no Vale do Rio Paraíba do sul (começando na porção do Rio de Janeiro) e depois se expandindo para o oeste Paulista chegando até o norte do Paraná e sul de Minas Gerais (frentes pioneiras), aproveitando-se condições naturais favoráveis, como: a descoberta de terrenos menos acidentados e o solo de terra roxa.  A economia cafeeira foi obra do capital mercantil nacional que vinha se desenvolvendo aos poucos e ganhou notável impulso com a abertura dos portos, e a transferência da corte portuguesa para o Brasil (1808) e, mais tarde, com a independência.
Houve neste momento a grande participação do capital britânico, que financiou a infraestrutura para o abastecimento do café, através de empréstimos financeiros, visando incorporar o Brasil como grande mercado consumidor e fonte de matérias-primas para a economia inglesa.
A migração em massa (principalmente de italianos) foi a solução encontrada pela burguesia cafeeira para o grave problema da mão de obra. Depois da proibição do tráfico negreiro, a Lei do Ventre Livre (1871) e a Lei dos Sexagenários (1885) sinalizavam a definitiva abolição da escravatura, o que ocorreu em 1888. Os cafeicultores tiveram um longo tempo para organizar a substituição da força de trabalho. Além do que em 1850 foi instituída a Lei de Terras, que acabou com o sistema de simples doação e estabelecendo que a propriedade territorial só poderia ser adquirida mediante procedimento de compra e venda. A terra, de simples recurso natural passou a ser mercadoria. Na verdade, a Lei de terras marca a transição de um regime em que os homens eram cativos para um regime em que os homens são livres, mas a terra é cativa.
A economia cafeeira modificou o espaço geográfico da região (principalmente de São Paulo), ou seja, houve grandes transformações no espaço da produção, da circulação e das ideias regionais, havendo, assim, as condições para a transição de uma economia agroexportadora para uma economia urbano industrial.
Até a primeira metade do séc. XIX, a economia cafeeira ainda conservava as características básicas do período colonial (economia agroexportadora, baseada na monocultura latifundiária, apoiada na mão de obra escrava). Na segunda metade do século XIX, sobretudo a partir de 1860- 1870, a cafeicultura passou por profundas transformações, tais como: substituição da mão de obra escrava pela mão de obra assalariada do imigrante, a ocupação de novas áreas (oeste paulista) e a expansão das ferrovias ligando a produção aos portos exportadores. A Lei Eusébio de Queiroz pôs fim ao tráfico de negros. A partir desse fato, a escravidão oficial caminhava para o seu esgotamento e os desdobramentos gerados no rumo de uma economia capitalista. Devido as crescentes exportações do café, a expansão de fazendas transformara o Vale do Paraíba do Sul. Os cafezais causaram rápido esgotamento dos solos. Daí a rápida incorporação das terras do Oeste Paulista. A produção cafeeira seguiu uma trajetória de sucessivas e crescentes safras.
Já no final do séc. XIX o Brasil passou a conhecer crises de superprodução de café. Em 1882, a produção mundial de café foi maior do que o consumo. O resultado foi à queda do preço do produto no mercado mundial.

As ferrovias do café e seu papel na ocupação, na produção e na organização do espaço geográfico.
A maior parte das ferrovias no estado de São Paulo foi construída somente após o avanço do desmatamento e do estabelecimento das fazendas, quando a população dos povoados se tornou numerosa e o volume da produção compensava o investimento no transporte ferroviário. Nos EUA e no Canadá , ao contrário, as linhas férreas foram fatores básicos para a fundação de cidades e seu povoamento.
Não podemos, entretanto, subestimar o papel das ferrovias do café. Muitas cidades do Planalto Ocidental Paulista tiveram como embrião as estações de trens, as pontas de trilhos e, ainda, as paradas ao longo do trajeto: Bauru, Tupã, Votuporanga, Pompéia, São Jose do Rio Preto, Penápolis, Lucélia, Lins, Adamantina e Araçatuba.
Para os habitantes do Estado de São Paulo, as vias férreas assumiram tamanha importância que se tornaram um referencial para se situar ou se deslocar no espaço paulista. Por exemplo, quem ia para acidade de Tupã, no oeste do estado, servida pela Companhia Paulista de Estrada de Ferro dizia “Eu vou para a Alta Paulista “, referindo-se, desse modo , mais especificamente ao final da linha, pois esta dividia-se em Baixa, Média e Alta Paulista.
Isso ocorria também em relação ao espaço geográfico cortado pelas demais ferrovias. Falava-se em Araraquarense, Mojiana, Sorocabana, para referir-se à região “atravessada” por essas ferrovias. A paisagem ou o relevo nunca foram referenciais do espaço para os paulistas, como ocorre, por exemplo, com os gaúchos e nordestinos.
Hoje, no Estado de São Paulo, não há mais nem mesmo o referencial dado pelas ferrovias, a não ser para gerações passadas. Com o desenvolvimento rodoviário iniciado em 1956, as ferrovias perderam a importância e também o papel de estimuladoras do povoamento e da criação de cidades, bem como de referenciais do espaço.
O traçado das ferrovias do café mostra a ligação das áreas produtoras ao porto de Santos, construídas que foram para escoar a produção cafeeira do Vale do Paraíba, da Depressão Periférica Paulista e do Planalto Ocidental Paulista. A primeira delas, a Sociedade de Estradas de Ferro D. Pedro II que mais tarde deu origem à Estrada de Ferro Central do Brasil), ligando o Vale do Paraíba ao porto do Rio de Janeiro, entrou em operação em 1855. Em seguida, em 1867, entrou em operação a São PauloRailway Co Ltd, ligando São Paulo à Santos, cujos trilhos foram depois estendidos até a cidade de Jundiaí, dando origem à Estrada de Ferro Santos----Jundiaí . Em 1872, foi inaugurada a Companhia Paulista de Estrada de Ferro, fruto da união de capitais de grandes fazendeiros de Campinas, Araras, Limeira e Rio Claro. Uma associação de produtores da região de Moji-Mirim fez o mesmo, dando origem a Companhia Mogiana em 1875, mesmo ano da inauguração da Estrada de Ferro Sorocabana. Em 1901 foi a vez da Araraquense .
Em 1971, o governo do Estado de São Pulo organizou a FEPASA--- Ferrovia Paulista S.A. ----que englobou as ferrovias citadas, com exceção da Santos---Jundiaí e da Estrada de Ferro Central do Brasil, que pertencem a RFFSA – Rede Ferroviária Federal S.A. Embora tenham avançado no interior do Estado de São Paulo, essas ferrovias não penetraram mais fundo no território nacional (com exceção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, inaugurada em 1905, que liga Bauru a Corumbá, no Mato Grosso do Sul, fronteira com a Bolívia ). O mesmo ocorreu nas demais regiões do Brasil. Ao analisarmos o traçado das ferrovias no Brasil podemos concluir que:-as ferrovias não realizaram efetivamente as integrações nacional e inter-regional, como ocorreu, por exemplo, nos EUA, no Canadá e na Rússia ;
-- no nordeste brasileiro, elas não realizaram nem mesmo a integração intra-regional;
--na Amazônia a densidade ferroviária é bastante baixa, contando com a Estrada de Ferro do Amapá, que escoa o minério de manganês até o porto de Santana, de onde é exportado, e com a Estrada de Ferro Carajás, construída recentemente para escoar o minério de ferro da Serra dos Carajás até o porto de Itaqui, no Maranhão, de onde também é exportado;
-- particularmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, as ferrovias constituíram uma infraestrutura importante para assegurar o desenvolvimento do capitalismo no Brasil. Podemos, então, afirmar que o traçado das ferrovias no Brasil é periférico, portanto não integrador do espaço. Sua função foi a de inserir-nos na economia mundial como país de economia primário-exportadora, no contexto da divisão internacional do trabalho. Sobre os interesses subjacentes ao desenvolvimento da malha ferroviária no Estado de São Paulo, lembramos as palavras do geógrafo francês Pierre Monbeig: No norte do Paraná, após a implantação de ramais ferroviários, a partir do inicio da década de 20, para escoar a produção de café, ocorreu a revitalização de povoados e a fundação de muitas cidades: Cornélio Procópio (1924), Londrina (1929), Arapongas (1938), Maringá(1947) e muitas outras.

O Arquipélago Econômico (isolamento regional)
A configuração em arquipélago econômico (ilhas econômicas) refletia o papel do Brasil como produtor de mercadorias para o mercado mundial e como as atividades produtivas nesse longo período foram ocupando espacialmente várias áreas do território. As culturas como açúcar, fumo, cacau, borracha ou café; desenvolveu-se em áreas diferentes de acordo as vantagens comparativas naturais e históricas de cada porção do espaço brasileiro. Esse arquipélago mercantil configura-se como “bacias de drenagens” integradas ao centro em grandes cidades portuárias, que escoavam a produção ao mercado externo. Essa organização do território produziu as grandes cidades portuárias do Brasil rural-agrário, centros modernos com laços intensos aos centros urbanos europeus. Podem-se citar as cidades: Belém, Rio de Janeiro, Recife, Salvador, São Luís, etc.
As relações econômicas ou demográficas entre essas áreas ou as ilhas eram inexpressivas ou precárias, chegando a vários períodos há serem inexistentes, pois o crescimento e dinamismo econômico eram diretamente resultado do comércio voltado ao mercado mundial.

O fim da economia de arquipélago
A relação assalariada de trabalho deu o início a um considerável mercado interno de consumo que consequentemente, gerou as bases para um maior crescimento industrial no final do século XIX; abrindo dessa forma a possibilidade de circuitos inter-regionais de mercadorias, pois as necessidades dos trabalhadores, de alimentos, tecidos e calçados, passaram a ser parcialmente atendidas pela indústria nascente. Ao poucos foi se intensificando a articulação entre as regiões, acabando, dessa forma, reduzindo o isolamento anterior.

A industrialização e o novo espaço geográfico
O desenvolvimento industrial da região do sudeste, principalmente do Estado de São Paulo, se beneficiou de capitais, infraestrutura de transporte energia, da mão de obra, da urbanização e do mercado consumidor criado pela economia cafeeira. A concentração industrial nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro transformou a região sudeste no principal polo econômico do país. A indústria, centro dinâmico da economia brasileira a partir da década de 30, criou um novo espaço geográfico, que em poucas décadas passou a concentrar a maior parcela da população e da produção do país: o espaço urbano-industrial. A firme disposição do governo federal em estimular a industrialização do país e a expansão rodoviária desempenhou importante papel no processo de integração nacional, que se afirmou em definitivo a partir da década de 50 com a construção de Brasília.
A necessidade de ligar a nova capital ao restante do país possibilitou a complementação de várias rodovias e a incorporação de novas áreas no cenário nacional (Centro-Oeste e Amazônia). A crescente integração da economia do Sudeste as demais regiões do país teve consequências muitas profundas; de um lado criou um mercado interno nacional e integrou economicamente o país, de outro lado, limitou e até subordinou o desenvolvimento industrial das outras regiões, transformando-as em fornecedoras de alimentos, matérias-primas e mão de obra. A indústria integrou o território nacional, porem causou também profundas desigualdades sociais e regionais.

quarta-feira, 9 de março de 2011

OS ELEMENTOS QUE CONSTITUEM OS MAPAS - OS RECURSOS, AS ESCOLHAS E OS INTERESSES.

Uma das primeiras coisas em que pensamos na hora de viajar é num bom mapa da região a ser visitada ou das estradas que vamos percorrer. Em nosso dia-a-dia na cidade também usamos mapas e guias para encontrar ruas e bairros. Os mapas nos auxiliam a localizar qualquer porção da superfície da Terra, facilitando a nossa orientação no espaço geográfico. O conhecimento das coordenadas geográficas e dos pontos cardeais é indispensável para a elaboração dos mapas, que são representações planas da superfície terrestre. Este é o maior problema da cartografia: representar uma superfície esférica em um plano. Como a esfera não é planificável, a representação nunca será perfeita. Teremos sempre algu¬mas deformações, seja em relação às distâncias entre os continentes, seja em relação às áreas de países e oceanos. Na verdade, a melhor maneira de representar a Terra é o globo terrestre, por causa de sua forma esférica. Porém os mapas são muito mais fáceis de manusear e têm a vantagem de repre¬sentar áreas pequenas com detalhes. As projeções permitem representar uma superfície esférica (a Terra) em uma superfície plana (o mapa) com menores distorções do que aquelas provocadas com o simples achata¬mento da esfera.

Cartografia, a arte ou ciência de fazer mapas
Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a "arte (ou ciência} de levantamen¬to, construção e edição de mapas e cartas de qualquer natureza" recebe a denominação de cartografia. A elaboração de mapas começou na Antigui¬dade. O mapa mais antigo do mundo foi encontrado na Mesopotâmia, onde é hoje o Iraque, de Saddam Hussein. Anaximandro (610 a.C-547 a.C.}, discípulo de Tales de Mileto, é considerado o primeiro cartógrafo. Em seu mapa, a Terra estava solta no espaço e não havia referência à sua forma. A partir do século XVI, época das Grandes Na¬vegações, mapas traçados com maior precisão pas¬saram a desvendar caminhos para os exploradores europeus, pois representavam o mundo de uma ma¬neira mais próxima do real.
O avanço tecnológico permitiu um grande progresso e muita precisão na elaboração de mapas. As técnicas usadas antigamente foram acrescen¬tadas várias outras, como o uso de aviões para to¬madas fotográficas aéreas, imagens de satélites artificiais e computadores. A partir do processamento e da análise dessas imagens, é possível elaborar vários tipos de mapas. Hoje, podemos obter imagens tridi¬mensionais da superfície da Terra. Daí os mapas estarem cada vez mais precisos. Entre os inúmeros recursos utilizados pela cartografia, destacaremos; a aerofotogrametria, o sensoriamento remoto e o geoprocessamento (GIS -Geographical Information System ou, traduzindo para o português, SIG - Sistema de Informação Geográfica). Apesar de todas essas facilidades, não pode¬mos nos esquecer de que, para ter sucesso, é preciso complementar o trabalho com dados obtidos em uma eficiente pesquisa de campo no local cartografado.
Classificação dos mapas ou cartas
De acordo com a escala, os mapas ou cartas podem ser:
• Cartas cadastrais ou plantas. Quando se destinam à representação de pequenas áreas, cidades, bairros, fazendas, conjuntos residenciais etc., porém com elevado grau de detalhamento e de precisão. É o caso de plantas urbanas, de grande utilidade para as autoridades governamentais na administração (cadastramento) e planejamentos urbanos. São cartas de grande escala, normalmente de 1:500 até 1:10.000.
• Mapas ou cartas topográficas. Quando mostram a características ou o elemento natural e artificial da paisagem com certo grau de precisão ou de detalhamento parte de uma região ou estado. São de média escala mostrando relevo, acidentes naturais, obras realizadas pelo homem escala, normalmente de 1:25.000 a 1:250.000.
• Mapas ou cartas geográficas. Quando mostram as características ou elementos geográficos gerais de uma ou mais regiões, país ou continente ou mesmo do mundo, o que exige o emprego de escalas pequenas (de 1:500.000 a 1:1.000.000 ou menos).

Coordenadas Geográficas: Paralelos e Meridianos
O movimento de rotação da Terra ao redor de seu eixo proporciona dois pontos naturais - os pólos - nos quais está baseada a chamada rede geográfica, que consiste em linhas destinadas a fixar a posição dos pontos da superfície. A rede geográfica consta de um conjunto de linhas traçadas de norte a sul unindo os polos - os meridianos - e um conjunto de linhas traçadas de leste a oeste paralelo ao equador - os paralelos.
Meridianos
Todos os meridianos são semicírculos máximos, cujos extremos coincidem com os polos norte e sul da Terra. Ainda que seja correto que o conjunto de dois meridianos opostos constituam um círculo máximo completo, é conveniente recordar que um meridiano é só um semicírculo máximo, e que é um arco de 180º.
Outras características dos meridianos são:
1. Todos os meridianos tem direção norte-sul;
2. Os meridianos têm sua máxima separação no equador e convergem em direção aos dois pontos comuns nos polos;
3. O número de meridianos que se pode traçar sobre o globo é infinito. Assim, pois, existe um meridiano para qualquer ponto do globo. Para sua representação em mapas os meridianos se selecionam separados por distâncias iguais adequadas.
Paralelos
Os paralelos são círculos menores completos, obtidos pela intersecção do globo terráqueo com planos paralelos ao equador. Possuem as seguintes características:
1. Os paralelos são sempre paralelos entre si. Ainda que sejam linhas circulares, sua separação é constante.
2. Os paralelos vão sempre em direção leste-oeste.
3. Os paralelos cortam os meridianos formando ângulos retos. Isto é, correto para qualquer lugar do globo, exceto para os polos, uma vez que neles a curvatura dos paralelos é muito acentuada.
4. Todos os paralelos, com exceção do equador, são círculos menores. O equador é um círculo máximo completo.
5. O número de paralelos que se pode traçar sobre o globo é infinito. Por conseguinte, qualquer ponto do globo, com exceção do polo norte e do polo sul, está situado sobre um paralelo.
Longitude
A longitude de um lugar pode definir-se como o arco de paralelo, medido em graus, entre tal lugar e o meridiano principal. Está quase universalmente aceito como meridiano principal o que passa pelo Observatório de Greenwich, perto de Londres, a que frequentemente se designa como meridiano de Greenwich. A este meridiano corresponde a longitude 0º. A longitude de qualquer ponto dado sobre o globo é medida na direção leste ou oeste a partir deste meridiano, pelo caminho mais curto. Portanto, a longitude deve oscilar entre zero e 180 graus, tanto a leste quanto a oeste de Greenwich. Conhecendo-se somente a longitude de um ponto não podemos determinar sua situação exata, porque o mesmo valor da longitude corresponde a todo um meridiano.
Latitude
A latitude de um lugar pode ser definida como o arco de meridiano, medido em graus, entre o lugar considerado e o equador. Portanto, a latitude pode oscilar entre zero grau no equador até 90 graus norte ou sul nos polos. Exemplo: 34º10'31" N, pode ler-se "latitude 34 graus, 10 minutos e 31 segundos norte".

Elementos de um mapa
A confecção de um mapa é uma tarefa de certa complexidade. Abrange um conjunto de operações que vão desde os levantamentos no próprio terreno e a análise de documentação (fotos aéreas, por exemplo) até o estudo de expressões gráficas (legendas etc.) e outros aspectos. Os mapas modernos são elaborados com o auxílio de instrumentos e recursos muito avançados, tais como fotografias aéreas, satélites artificiais e computadores.
Os elementos de um mapa são: escala, projeções cartográficas, símbolos ou convenções e título.
A Escala
Como o mapa é infinitamente menor que a Terra, necessitamos de uma escala para indicar a proporção entre ele e o nosso planeta. A escala nos informa quantas vezes o objeto real (no caso a Terra ou parte dela) foi reduzido em relação ao mapa. Em outras palavras, escala é a relação entre a distância ou comprimento no mapa e a distância correspondente na Terra. Por exemplo: um mapa do Brasil na escala 1:5.000.000 significa que as distâncias (ou proporções) reais do Brasil sofreram uma redução de 5 milhões de vezes em relação ao mapa, ou seja, nessa escala 1 cm no mapa corresponde a 5 milhões de cm (ou 50 km) no lugar real.
Entretanto devemos lembrar que quanto maior for a escala, maior a riqueza de detalhes. A mostra o Brasil em três escalas diferentes. Nesse caso, quanto menor for a escala, menor o tamanho do mapa e consequentemente menor a riqueza de detalhes.
Existem os seguintes tipos de escalas:
• Numérica. Trata-se de uma fração ou proporção que estabelece a relação entre a distância ou comprimento no mapa e a distância correspondente no terreno.
 Por exemplo: se um determinado mapa estiver na escala 1:200.000 (um por duzentos mil), isso significa que, 1 cm no mapa é igual a 200 mil cm no terreno. A escala numérica pode ser apresentada de três formas diferentes:
1 ou 1:200.000 ou 1/200.000
• Gráfica. Apresenta-se sob a forma de segmento de reta graduado. Por exemplo:
0 km 200 km 400 km 600 km 800 km 1.000 km
Nesse caso a reta foi seccionada em cinco partes iguais, cada uma medindo 1 cm. Significa que cada uma das partes no mapa (1 cm) corresponde 20.000.000 cm ou 200 km no terreno.
Com um simples olhar, não há como sabermos a proporção com que o mapa foi desenhado. Por isso usamos a escala.
• 1:1000000
• 1:500000
• 1:250000
• 1:100000
• 1:50000
Estas escalas, em geral, são utilizadas em grandes mapas de caráter regional, incluindo desde países inteiros até porções de estados em países de escalas continentais, como o Brasil.
Escalas maiores são usadas para trabalhos de detalhe, como mapeamento de corpos mineralizados, estudos de precisão. Sendo estas: 1:25000; 1:10000; 1:2500, além de outras de maior detalhe.
São muito usadas na Geografia, Geologia, Engenharia de Minas e demais ramos que necessitam de mapas para seus estudos.
São também utilizadas para determinação de bacias hidrográficas em obras de engenharia civil. Desde grandes barragens até obras de microdrenagem urbana têm seu início com estudos em cartas cartográficas.
Símbolos ou convenções cartográficas
Considerando-se que o mapa é uma representação da realidade, o cartógrafo recorre a símbolos e convenções que auxiliam na leitura ou interpretação dos mapas. Os símbolos são, portanto, a linguagem visual dos mapas. Quanto às cores, as principais convenções são as seguintes: azul (hidrografia); verde (vegetação); castanho (relevo e solos); preto ou vermelho (acidentes geográficos artificiais, como rodovias, ferrovias etc.).
Tipos de Mapas
Função nome
Mostram quantidade - Mapas quantitativos
Põem ordem nos fenômenos - Mapas ordenados
Separam os fenômenos - Mapas qualitativos
Mostram movimentos entre as localidades diferentes - Mapas de fluxos
O fenômeno é a própria medida
básica do mapa – Anamorfose
Projeções Cartográficas
Projeção cartográfica é a representação de uma superfície esférica (a Terra) num plano (o mapa).
O grande problema da cartografia consiste em ter de representar uma superfície esférica num plano. Assim, sempre que achatarmos uma esfera para colocá-la em um plano, necessariamente ela sofrerá alterações ou deformações.
 Isso quer dizer que todas as projeções apresentam deformações, que podem ser em relação às distâncias, às áreas ou aos ângulos. Assim, cabe ao cartógrafo escolher o tipo de projeção que melhor atenda aos objetivos do mapa.
A maior parte das projeções hoje existentes deriva dos três tipos ou métodos originais, a saber: cilíndricas, cônicas e planas ou azimutais.
A projeção cilíndrica resulta da projeção dos paralelos e meridianos sobre um cilindro envolvente, que é posteriormente desenvolvido (planificado). Esse tipo de projeção:
• acarreta um crescimento (deformação) exagerado das regiões de elevadas latitudes;
• é o mais utilizado para a representação total da Terra (mapas-múndi).
A projeção cônica resulta da projeção do globo terrestre sobre um cone, que posteriormente é planificado. Esse tipo de projeção:
• apresenta paralelos circulares e meridianos radiais, isto é, retas que se originam de um único ponto;
• é usado principalmente para a representação de países ou regiões de latitudes intermediárias, embora possa ser utilizado para outras latitudes.
A projeção azimutal resulta da projeção da superfície terrestre sobre um plano a partir de um determinado ponto (ponto de vista).
Vejamos, a seguir, alguns dos mais conhecidos tipos de projeção cartográfica.
Projeção de Mercátor
Nessa projeção, os paralelos e os meridianos são linhas retas que se cruzam formando ângulos retos. Pertence ao tipo chamado conforme, porque não deforma os ângulos. Em compensação, as áreas extensas ou situadas em latitudes elevadas aparecem nos mapas com dimensões exageradamente ampliada·.
Projeção Bertin
Já na projeção Bertin (1950), que mantém uma relação de fidelidade com as superfícies dos continentes, a grade de coordenadas não possui uma configuração perpendicular, pois todos os meridianos se dirigem, formando curvas, para uma representação do polo que se encontra no meio do mapa. Logo, para indicar o Norte seria preciso colocar tantas setas quantos fosse o número de meridianos (vide mapa abaixo), o que é desnecessário visto a clareza da posição polar.
Projeção Buckminster
Trata-se de uma projeção cuja centragem é no polo norte (as centragens podem variar) e que favorece a manutenção das formas e das proporcionalidades das terras emersas em detrimento dos oceanos. Quando esse autor criou essa projeção ele subverteu a visão convencional de um Norte e de um Sul, o que permitiria uma apreensão de um mundo “menos” hierarquizado.
Erros cartográficos
A grande maioria dos mapas publicados contém erros cartográficos sérios. Ou geram visões problemáticas, ou pouco transmitem. E isso é esperado, visto que essa “inundação de mapas” tem como protagonistas um número muito grande de pessoas que entendem do programa de computador que faz o mapa, mas não conhecem a linguagem gráfica e a Cartografia. Um exemplo singelo: para mostrarmos a distribuição geográfica de um fenômeno, digamos a alfabetização, vamos usar índices de alfabetização por município no Estado de São Paulo. É razoável introduzir a informação no mapa preenchendo cada município com tonalidades de uma mesma cor (da mais escura para a mais clara). A mais escuras os maiores índices e as menores taxas com tonalidades mais claras. Quando vemos um mapa que usa tonalidades da mesma cor, sem parar para pensar, nossa percepção indica que a tonalidade mais escura (mais pigmentação) representa a maior intensidade do fenômeno, e a tonalidade mais clara, a quase ausência. Caso isso seja invertido, ou então, escolhidos cores diferentes e arbitrárias, haverá uma confusão na nossa percepção, pois o que teremos diante dos nossos olhos será uma falsa imagem: um erro cartográfico.




quinta-feira, 3 de março de 2011

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

O Dia Internacional da Mulher, celebrado a 8 de Março, tem como origem as manifestações das mulheres russas por "Pão e Paz" - por melhores condições de vida e trabalho e contra a entrada do seu país na Primeira Guerra Mundial. Essas manifestações marcaram o início da Revolução de 1917. Entretanto a ideia de celebrar um dia da mulher já havia surgido desde os primeiros anos do século XX, nos Estados Unidos e na Europa, no contexto das lutas de mulheres por melhores condições de vida e trabalho, bem como pelo direito de voto.

No Ocidente, o Dia Internacional da Mulher foi comemorado no início do século, até a década de 1920.
Na antiga União Soviética, durante o stalinismo, o Dia Internacional da Mulher tornou-se elemento de propaganda partidária.
Nos países ocidentais, a data foi esquecida por longo tempo e somente recuperada pelo movimento feminista, já na década de 1960. Na atualidade, a celebração do Dia Internacional da Mulher perdeu parcialmente o seu sentido original, adquirindo um caráter festivo e comercial. Nessa data, os empregadores, sem certamente pretender evocar o espírito das operárias grevistas do 8 de março de 1917, costumam distribuir rosas vermelhas ou pequenos mimos entre suas empregadas.
1975 foi designado pela ONU como o Ano Internacional da Mulher e, em Dezembro de 1977, o Dia Internacional da Mulher foi adotado pelas Nações Unidas, para lembrar as conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres, mas também a discriminação e a violência a que muitas delas ainda são submetidas em todo o mundo.
A ideia da existência de um dia internacional da mulher surge na virada do século XX, no contexto da Segunda Revolução Industrial e da Primeira Guerra Mundial, quando ocorre a incorporação da mão-de-obra feminina, em massa, na indústria. As condições de trabalho, frequentemente insalubres e perigosas, eram motivo de frequentes protestos por parte dos trabalhadores. Muitas manifestações ocorreram nos anos seguintes, em várias partes do mundo, destacando-se Nova Iorque, Berlim, Viena (1911) e São Petersburgo (1913).

O primeiro Dia Internacional da Mulher foi celebrado em 28 de Fevereiro de 1909 nos Estados Unidos, por iniciativa do Partido Socialista da América, em memória da greve das operárias da indústria do vestuário de Nova York, em protesto contra as más condições de trabalho.
Em 1910, ocorreu a primeira conferência internacional de mulheres, em Copenhaga, dirigida pela Internacional Socialista, quando foi aprovada proposta da socialista alemã Clara Zetkin, de instituição de um dia internacional da Mulher, embora nenhuma data tivesse sido especificada.
No ano seguinte, o Dia Internacional da Mulher foi celebrado a 19 de Março, por mais de um milhão de pessoas, na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça.
Poucos dias depois, a 25 de Março de 1911, um incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist mataria 146 trabalhadores - a maioria costureiras. O número elevado de mortes foi atribuído às más condições de segurança do edifício. Este foi considerado como o pior incêndio da história de Nova Iorque, até 11 de setembro de 2001. Para Eva Blay, é provável que a morte das trabalhadoras da Triangle se tenha incorporado ao imaginário coletivo, de modo que esse episódio é, com frequência, erroneamente considerado como a origem do Dia Internacional da Mulher.
Em 1915, Alexandra Kollontai organizou uma reunião em Christiania (atual Oslo), contra a guerra. Nesse mesmo ano, Clara Zetkin faz uma conferência sobre a mulher.
Na Rússia, as comemorações do Dia Internacional da Mulher foram o estopim da Revolução russa de 1917. Em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro pelo calendário juliano), a greve das operárias da indústria têxtil contra a fome, contra o czar Nicolau II e contra a participação do país na Primeira Guerra Mundial precipitou os acontecimentos que resultaram na Revolução de Fevereiro. Leon Trotsky assim registrou o evento: “Em 23 de fevereiro (8 de março no calendário gregoriano) estavam planejadas ações revolucionárias. Pela manhã, a despeito das diretivas, as operárias têxteis deixaram o trabalho de várias fábricas e enviaram delegadas para solicitarem sustentação da greve. Todas saíram às ruas e a greve foi de massas. Mas não imaginávamos que este ‘dia das mulheres’ viria a inaugurar a revolução”.
Após a Revolução de Outubro, a feminista bolchevique Alexandra Kollontai persuadiu Lenin para torná-lo um dia oficial que, durante o período soviético, permaneceu como celebração da "heróica mulher trabalhadora". No entanto, o feriado rapidamente perderia a vertente política e tornar-se-ia uma ocasião em que os homens manifestavam simpatia ou amor pelas mulheres - uma mistura das festas ocidentais do Dia das Mães e do Dia dos Namorados, com ofertas de prendas e flores, pelos homens às mulheres. O dia permanece como feriado oficial na Rússia, bem como na Bielorrússia, Macedónia, Moldávia e Ucrânia.

Na Tchecoslováquia, quando o país integrava o Bloco Soviético (1948 - 1989), a celebração era apoiada pelo Partido Comunista. O MDŽ (Mezinárodní den žen, "Dia Internacional da Mulher" em checo) era então usado como instrumento de propaganda do partido, visando convencer as mulheres de que considerava as necessidades femininas ao formular políticas sociais. A celebração ritualística do partido no Dia Internacional da Mulher tornou-se estereotipada. A cada dia 8 de março, as mulheres ganhavam uma flor ou um presentinho do chefe. A data foi gradualmente ganhando um caráter de paródia e acabou sendo ridicularizada até mesmo no cinema e na televisão. Assim, o propósito original da celebração perdeu-se completamente. Após o colapso da União Soviética, o MDŽ foi rapidamente abandonado como mais um símbolo do antigo regime.
No Ocidente, o Dia Internacional da Mulher foi comemorado durante as décadas de 1910 e 1920. Posteriormente, a data caiu no esquecimento e só foi recuperada pelo movimento feminista, já na década de 1960, sendo, afinal, adotado pelas Nações Unidas, em 1977.

1º DE MAIO - DIA DE LUTA

1º DE MAIO - DIA DE LUTA
Conflito na Serra Pelada - Sebastião Salgado

DIA DAS MÃES - UM GRANDE DIA

DIA DAS MÃES - UM GRANDE DIA

08 DE MARÇO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

08 DE MARÇO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

UMA REFLEXÃO SOBRE O DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

PENSAMENTO VIVO

"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele ou por sua origem ou sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender. E se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto. A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta." Nelson Mandela

“Nós, que sobrevivemos aos campos, não somos as verdadeiras testemunhas. Esta é uma idéia incômoda que passei aos poucos a aceitar, ao ler o que os outros sobreviventes escreveram, inclusive eu mesmo, quando releio meus textos após alguns anos. Nós, sobreviventes, somos uma minoria não só minúscula, como também anômala. Somos aqueles que, por prevaricação, habilidade ou sorte, jamais tocaram o fundo do poço. Os que o fizeram, e viram a face das Górgonas, não voltaram, ou voltaram mudos”

Primo Levi, escritor italiano, foi um dos 23 sobreviventes entre os 649 judeus que foram encaminhados para Auschwitz com ele em abril de 1944.

A Terra em 100 Anos

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A FORMAÇÃO DA TERRA

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O UNIVERSO MACROSCOPICO E O MICROSCOPICO

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O Universo que existe em você, e você que existe no universo

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LOVE IS LOVE

LOVE IS LOVE
Reflita sobre o mundo

Simone de Beauvoir

Simone de Beauvoir
Pense sobre o mundo